LLX Lógistica e IronX mineração iniciam negociações com fortes altas

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 07:03:00 PM

Gandalf Wizard
Investidor Informado

A LLX Logística S.A. com o código LLXL3 e a IronX Mineração S.A., com o código IRON3 estreiaram no Novo Mercado da Bovespa nesta segunda, 28 de julho de 2008, em forte alta. As ações da LLX (LLXL3) se valorizaram 21,85%, com 1001 negócios realizados, enquanto a IRON3 subiu 27,25%, com 814 negócios.

As duas companhias foram criadas a partir da cisão parcial da MMX Mineração S.A.(MMXM3), que também é listada no Novo Mercado, e passaram a integrar o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC).

As duas empresas levam o novo mercado a 103 companhias, ainda que temporáriamente pois a negociação com a Anglo American prevê o fechamento do capital da IronX em até 90 dias.

Perdigão registra prejuízo de R$881,8 mi no 2o trimestre

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 07:01:00 PM

A Perdigão, uma das maiores produtoras de alimentos do país, registrou prejuízo líquido de 881,8 milhões de reais no segundo trimestre do ano, ante lucro de 70,8 milhões de reais em igual período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira.

A empresa disse que o número trimestral foi afetado pelas aquisições realizadas recentemente.

"Em maio, a Perdigão assumiu integralmente o ágio de 1,5 bilhão de reais (diferença entre o valor contábil e o valor de mercado), advindo das aquisições da Eleva, dos negócios de margarina e do controle da Batávia", informou a empresa em comunicado.

"Este reconhecimento proporcionou um efeito líquido negativo não recorrente, no trimestre, de 984,3 milhões de reais", acrescentou a empresa, que informou ter registrado um lucro líquido ajustado, antes do efeito da amortização do ágio, de 102,5 milhões de reais.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre foi de 233,2 milhões de reais, 40,3 por cento maior que o registrado no segundo trimestre do ano passado.

"O incremento das operações da companhia em carnes e lácteos, aliado ao desempenho das vendas, garantiu um bom resultado operacional", informou o comunicado.

O faturamento total do grupo atingiu 3,25 bilhões de reais no segundo trimestre, 81 por cento maior que em igual período do ano passado, efeito de vendas maiores e da consolidação das aquisições.

Segundo a empresa, as exportações cresceram 64 por cento em receita, para 1,26 bilhão de reais, apesar da atual taxa de câmbio.

"O crescimento da demanda internacional por proteína animal (aves e suínos) do Brasil sustentou o desempenho positivo no mercado externo, mesmo diante da contínua apreciação do real em relação ao dólar e do aumento do preço das principais commodities verificado no trimestre", acrescentou a nota.

Reuters

Link: Perdigão registra prejuízo de R$881,8 mi no 2o trimestre

Brasil Ecodiesel ratifica contratação de crédito

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 06:57:00 PM

A Brasil Ecodiesel, companhia do setor de energia, informou ao mercado que ratificou, em reunião do conselho de administração realizada na sexta-feira (25), a contratação de R$ 25 milhões em linha de crédito com o acionista controlador da empresa, Nelson José Côrtes da Silveira. Segundo o comunicado, o montante deve reforçar o capital de giro da companhia.

Foi anunciado ainda a contratação por prazo mais curto de empréstimo de R$ 10 milhões a ser firmada com Côrtes da Silveira, Banco Fator S.A., Banco ABN Amro Real S.A e Banco Fibra S.A.

Safras

Link: Brasil Ecodiesel ratifica contratação de crédito

BC: envio de lucros e dividendos dobra no 1º semestre

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 05:48:00 PM

O envio de lucros e dividendos do Brasil para o exterior quase dobrou no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que as remessas somaram US$ 18,993 bilhões nos seis primeiros meses do ano. O valor é 93,67% maior que o registrado em igual período de 2007. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que os dados revelam uma mudança estrutural de perfil no balanço de pagamentos.

A mudança nas contas externas foi gerada por dois movimentos, explica Altamir. Segundo ele, tem aumentado o peso das remessas no resultado geral e, ao mesmo tempo, a importância da despesa com juro tem diminuído. No semestre, o gasto com juros somou US$ 3,356 bilhões, valor que equivale a 17,6% do montante de remessas. No primeiro semestre de 2007, os juros corresponderam a 46% das remessas.

O chefe do Departamento Econômico do BC observou que é mais fácil fazer um ajuste nas contas com o novo perfil, já "que lucro só se remete quando tem lucro". Ele lembrou que no perfil anterior o balanço de pagamentos tinha maior peso dos juros e que, com a economia em expansão ou não, essa despesa existia e era preciso pagar o compromisso. Hoje, ao contrário, se a economia se desacelera, a lucratividade tende a cair, o que diminui as remessas e, conseqüentemente, o déficit em conta corrente. "Essa estrutura do balanço de pagamentos é positiva e financiável", disse.

Outro ponto positivo da atual estrutura diz respeito ao comércio exterior. Altamir lembrou que uma eventual desaceleração da economia também repercute no ritmo das importações, outro fator que explica a deterioração recente das contas externas. Sobre a compra de bens e serviços de outros países, Altamir acredita que deve acontecer uma desaceleração no médio prazo. Isso acontece, segundo ele, porque a base de comparação será maior e a taxa de crescimento tende a diminuir.

Altamir informou que os investimentos estrangeiros em ações, em julho, têm saldo positivo, até hoje, de US$ 473 milhões. Segundo ele, os investimentos em ações negociadas no País está negativo em US$ 3,435 bilhões em julho, até hoje. Já as ações brasileiras negociadas no exterior tiveram saldo positivo de US$ 3,908 bilhões. Esse forte desempenho se deve ao lançamento de ações da Vale.

Estado

Link: BC: envio de lucros e dividendos dobra no 1º semestre

Para manter acordo com Anglo American, Eike pagará prejuízos com operação da PF

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 01:08:00 PM

A MMX, empresa de mineração do empresário Eike Barista, informou nesta segunda-feira que o acordo para a venda da IronX - empresa subsidiária que controla o projeto de minério de ferro Minas-Rio e o Sistema de minério de ferro Amapá - à Anglo American foi mantido mesmo após os problemas causados pela operação Toque de Midas, da Polícia Federal.

Depois da operação ter sido deflagrada, a Anglo American ameaçou desistir do negócio. Para que isso não ocorresse, Eike se comprometeu a pagar do próprio bolso os prejuízos que porventura a empresa tenha com a operação da PF.

"Em relação ao processo de investigação ora em andamento, Eike Batista ofereceu uma indenização pessoal, a qual não gerará qualquer obrigação adicional para a MMX, que cobrirá qualquer prejuízo eventual que possa vir a ser incorrido pela Anglo American como resultado da referida investigação", explicou a empresa através de comunicado ao mercado.

Com o acordo, a transação deverá ser concluída em 5 de agosto. A compra custará cerca de US$ 5,5 bilhões - sendo que cerca de US$ 3 bilhões irão para Eike Batista.

Folha

Link: Para manter acordo com Anglo American, Eike pagará prejuízos com operação da PF

Brasil Ecodiesel: A mamona não foi sustentável

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 09:43:00 AM

Chamada de “parceira” pelo governo e apontada como exemplo em energia alternativa, a Brasil Ecodiesel vive uma grave crise – suas ações caíram 70% em um ano e a empresa não está cumprindo os contratos de produção.

A mamona tornou-se famosa nos primeiros anos do governo Lula por ser o símbolo do programa nacional do biodiesel. Foi graças à mamona que a Brasil Ecodiesel, primeira empresa a iniciar a produção em escala industrial, tornou-se uma espécie dexodó do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve em quatro das cinco inaugurações de suas fábricas desde 2005. Naquela época, a Brasil Ecodiesel prometia ser uma potência do biodiesel, produzindo com base na agricultura familiar e em matérias-primas alternativas, como mamona e girassol. Mas as promessas não se cumpriram. Nos últimos meses, a estrela do biodiesel brasileiro mergulhou numa crise que a transformou num problema não só para seus executivos mas também para o mercado de combustíveis e o próprio governo. Por não cumprir os contratos de entrega do biodiesel vendido nos leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a Brasil Ecodiesel está a um passo de ser excluída das próximas licitações federais. Além disso, diversas falhas de documentação podem fazê-la perder o selo do governo que dá isenções tarifárias e acesso privilegiado aos leilões. Pressionada pela alta na matériaprima e pelos baixos preços que estabeleceu para seu produto nos leilões, a Brasil Ecodiesel tem vivido os últimos seis meses com problemas de caixa — e de credibilidade. Nos últimos 12 meses, suas ações já perderam 70% do valor e a empresa vem tendo dificuldade em rolar suas dívidas.

Na origem dessa situação estão, principalmente, erros de estratégia. Primeiro, a Brasil Ecodiesel apostou na formação de uma rede de mais de 120 000 agricultores familiares dispersos por todo o país e distantes dos maiores mercados consumidores. Seria o equivalente a administrar, sozinha, uma rede comparável à da cadeia inteira de produção de fumo no Brasil, que tem 170 000 produtores. Além disso, diferentemente de suas principais concorrentes, que compram matériaprima de grandes cooperativas agrícolas, a companhia decidiu financiar diretamente os agricultores. Com o perdão do trocadilho, o uso da mamona também não se mostrou sustentável. A alta nos preços da planta fez com que 60% dos agricultores nordestinos que fornecem o produto à Brasil Ecodiesel simplesmente vendessem a quem pagasse mais caro, ignorando os contratos com a empresa. Para completar, a soja, base para 80% do biodiesel produzido no país, teve alta de mais de 50% desde o início do ano, o que implodiu a equação financeira da Brasil Ecodiesel. Em novembro, a empresa ganhou contratos para vender o combustível por 1,86 real o litro, preço considerado insustentável. “Ninguém entendeu como eles ofereceram isso. Só o litro do óleo da soja já tornava esse preço inviável”, diz um concorrente. A Brasil Ecodiesel justificou a decisão pelo caráter estratégico do leilão. “Sabíamos que tais preços poderiam gerar baixa rentabilidade, mas as vendas eram estrategicamente importantes para a consolidação do setor. Diversas outras empresas fizeram a mesma avaliação que nós”, afirmaram os executivos da companhia, em nota enviada a EXAME.

Nas últimas semanas, o resultado desses tropeços ficou patente até nos portões das fábricas da Brasil Ecodiesel. Enormes filas de carretas se formaram, esperando o fornecimento de biodiesel, o que muitas vezes não aconteceu. Desde maio, a empresa produz de forma intermitente, deixando muitas vezes de entregar o que está estipulado nos contratos. Outro problema vivido pela companhia é a possibilidade de perder o “selo social”, carimbo que o Ministério do Desenvolvimento Agrário confere às produtoras que compram matéria-prima de agricultores familiares. Tratase, simplesmente, do mais importante fator de competição para as companhias que se dedicam a esse setor. As empresas que têm o tal carimbo conseguem isenção fiscal de até 100%. Além disso, 80% das compras de biodiesel nos leilões são reservadas aos negócios que têm essa chancela. De acordo com Arnoldo Campos, responsável pela concessão do “selo social” do ministério, a Brasil Ecodiesel ainda não conseguiu comprovar a origem de sua matériaprima. “Se ficar claro que não cumpriu as exigências, a empresa vai perder o selo.”

A derrocada da Brasil Ecodiesel não poderia ter vindo em momento pior. Primeiro, porque o mercado ainda absorve os efeitos da crise da Agrenco, uma grande distribuidora de soja, cujos donos foram presos pela Polícia Federal. Com as acusações de fraude nas exportações de soja, a Agrenco suspendeu o fornecimento do grão, deixando 12% do mercado de biodiesel desabastecido. Além disso, a partir de 1o de julho, a mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel passou de 2% para 3%, aumentando ainda mais a demanda. Como não está dando conta nem dos atuais contratos, com falhas na entrega do combustível, a Brasil Ecodiesel corre o risco de ser excluída dos próximos leilões da ANP. “Se ela continuar não entregando nada, vamos retirá-la já da próxima concorrência, prevista para o início de agosto”, diz Edson Silva, superintendente de abastecimento da agência. Como os leilões são a única forma de acesso ao mercado, a punição pode ser fatal. Ainda é cedo, porém, para decretar o fim da Brasil Ecodiesel. Desde o início do programa de energia alternativa, a empresa é vista pelo próprio presidente Lula, grande entusiasta do biodiesel, como uma espécie de “parceira” do governo. Por isso, não são poucos os observadores que acreditam numa solução salvadora.

E a salvação pode vir, justamente, da Petrobras. A estatal é peça-chave no atual modelo de distribuição do biodiesel no Brasil. É ela que compra todo o óleo vendido nos leilões para depois repassá-lo às distribuidoras. É a estatal, também, que fiscaliza se as entregas estão sendo feitas no prazo e nos locais combinados com as distribuidoras. E, finalmente, é a Petrobras que define as multas para quem não cumpre os contratos. No final do ano passado, quando apareceram os primeiros sinais de dificuldade na Brasil Ecodiesel, a hipótese de comprá-la foi discutida numa reunião do conselho de administração da estatal, num pacote que incluía a aquisição de outras produtoras do setor. Segundo um executivo que participou dessa reunião, a idéia foi rechaçada pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que preside o conselho. Mais recentemente, a proposta de compra da Brasil Ecodiesel voltou a ser discutida na Petrobras. Um grupo de trabalho chegou a ser formado para avaliar o negócio, mas nenhuma decisão ainda foi tomada. “Há um movimento no governo para salvar a Brasil Ecodiesel, e esse movimento repercute na Petrobras”, diz um executivo da empresa. A estatal não quis comentar essas informações nem esclareceu se pretende multar a Brasil Ecodiesel pelo não-cumprimento dos contratos. Por via das dúvidas, emissários da Brasil Ecodiesel já estariam sondando outras companhias do setor sobre uma possível compra ou associação. (A empresa nega tal movimentação.)

Desde que foi criada, em 2003, até hoje, a Brasil Ecodiesel tem uma imagem associada à figura de seu fundador, o banqueiro Daniel Birmann, que acaba de vender sua participação no banco Arbi a um sócio. Birmann também não é mais sócio da empresa, mas é em torno de seu nome que giram todas as conversas sobre a Brasil Ecodiesel no mercado de biodiesel. Herdeiro de um grupo empresarial gaúcho, Birmann já ganhou e perdeu somas consideráveis de dinheiro. Sua última boa tacada aconteceu durante o racionamento de energia no princípio da década. Exatamente no momento em que as hidrelétricas diminuíram sua produção pela falta de chuvas, o grupo comandado por ele administrava 11 termelétricas. Com a Brasil Ecodiesel, Birmann parecia ter acertado novamente. Em março de 2005, porém, outro revés: o banqueiro foi proibido pela CVM de participar de companhias abertas e foi multado em 243 milhões de reais por irregularidades na falência de uma das empresas de seu grupo. Naquele mesmo ano, ele vendeu sua participação na Brasil Ecodiesel a uma offshore, a Eco Green Solutions. Pouco depois, quando a Brasil Ecodiesel fez sua oferta inicial na Bovespa, o desempenho das ações foi fortemente prejudicado pela existência desse sócio oculto, que boa parte do mercado apostava ser o próprio Daniel Birmann. No mês passado, a Eco Green finalmente saiu do bloco de controle da empresa, levando Nelson Cortes da Silveira, um dos acionistas, a declarar que a ex-sócia “pesava como chumbo”. Quem sabe agora, ficando mais “leve”, a empresa encontre um parceiro — ou até um novo dono — que a permita deixar os problemas para trás.

Alguns fatores que mostram a gravidade da situação na Brasil Ecodiesel
Maus resultados
Acumula 94 milhões de reais em prejuízos, atribuídos aos custos de implantação e ao alto preço da soja, principal matéria-prima
+
Problemas na produção
Desde maio, a empresa está entregando menos da metade do combustível prometido à Petrobras e, por isso, pode ser excluída dos leilões da ANP.
+
Imagem comprometida
O Ministério do Desenvolvimento Agrário avalia se mantém o status de “selo social”, que comprova o uso de óleo produzido pela agricultura familiar. Se perder o selo, a empresa será excluída de 80% do mercado
=
Possibilidade de venda
Já começaram as primeiras sondagens para vender a empresa. O comprador dos sonhos é a Petrobras, mas outras grandes companhias do setor também foram contatadas

Exame

Link: Brasil Ecodiesel: A mamona não foi sustentável

Os papéis de bancos brasileiros estão entre os que mais dão retorno no sistema bancário mundial

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 09:22:00 AM

Se há uma única herança positiva dos terríveis anos de hiperinflação, essa herança foi a eficiência do sistema bancário brasileiro. O que antes significou sobrevivência hoje representa competitividade em termos mundiais. A eficiência e os resultados brasileiros transparecem no mercado acionário, conforme mostra uma pesquisa da consultoria Boston Consulting Group realizada com 593 instituições financeiras de todo o mundo. Entre 2003 e 2007, o retorno médio dos papéis dos grandes bancos brasileiros foi de 54,5% ao ano — bem acima da média mundial. E, no ranking das 12 instituições que deram os maiores retornos nesse período, há quatro brasileiros: Banco do Brasil, Bradesco, Unibanco e Itaú. “Em termos de competência, os bancos brasileiros não perdem para as instituições de nenhum outro lugar”, diz André Xavier, sócio do BCG no Brasil.

Diante disso e da própria evolução da economia brasileira — com níveis recordes de crédito oferecido —, a valorização de alguns papéis atingiu patamares impressionantes. Quem comprou ações do Bradesco em julho de 2003, por exemplo, viu seus recursos aumentarem 550%, ante 345% alcançados pelo Ibovespa. Mas até onde podem ir os papéis dos grandes bancos brasileiros? Qual o impacto do aumento dos juros e de uma eventual redução no crédito, hoje a atividade mais lucrativa para essas instituições? EXAME ouviu dez analistas que cobrem o setor e as respostas foram unânimes: os papéis dos bancos brasileiros ainda são ótimas opções de investimento. Em média, os analistas prevêem potencial de valorização em torno de 50% para as ações dos quatro principais bancos do país — Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Unibanco — nos próximos 12 meses.

O otimismo dos analistas está alicerçado no poder de adaptação dos bancos. Até meados da década de 90, a rentabilidade era dependente da alta inflação — as instituições aproveitavam os recursos dos clientes que permaneciam temporariamente em seus cofres para ganhar com o giro financeiro. Com a implantação do Plano Real, os bancos fortaleceram a oferta de serviços, aumentaram as tarifas e aplicaram em títulos públicos remunerados pelas altas taxas de juro. Mais recentemente, aproveitaram os cortes na Selic para ampliar com toda a força a concessão de crédito. “Os bancos brasileiros já provaram que sabem atuar em todas as conjunturas”, diz Marco Aurélio Barbosa, analista-chefe da corretora Coinvalores. O momento, segundo os especialistas, é favorável à compra de ações. No primeiro semestre de 2008, os papéis do Bradesco e do Itaú se desvalorizaram, respectivamente, 10,7% e 8,6%. A perda de valor foi um reflexo da desconfiança generalizada no sistema bancário mundial. O estudo da BCG mostra, porém, que o Brasil foi o país que registrou a menor redução entre os emergentes. “Como os bancões brasileiros não têm os resultados afetados pela crise do subprime, essa queda no preço dos papéis é apenas momentânea”, diz Barbosa.

Além das possibilidades de ganho com a valorização das ações, o investidor em bancos tem a vantagem da política de distribuição de dividendos. Pela legislação, todas as companhias abertas são obrigadas a distribuir 25% dos lucros entre os acionistas. “Na prática, os grandes bancos chegam a dividir entre 35% e 40% dos resultados com os acionistas”, diz Ricardo Martins, analista da corretora Planner. Bradesco e Itaú são as únicas duas empresas listadas na Bovespa que distribuem dividendos mensalmente. Outros grandes bancos, como o Banco do Brasil, fazem distribuição trimestral, enquanto a maioria das companhias realiza a divisão dos lucros apenas uma vez por ano. “É um dinheiro que vai para o bolso do acionista”, diz Aloísio Lemos, analista da Ágora Corretora de Valores.

A solidez demonstrada pelo sistema bancário brasileiro num momento em que grandes instituições internacionais lutam para sobreviver é um fenômeno que se repete em outros países emergentes. No ranking das ações que deram os maiores retornos entre 2003 e 2007, há cinco bancos indianos, um da Rússia, um da Grécia e um da Turquia. Nos últimos dois anos, a participação do chamado Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) no setor bancário mundial praticamente triplicou em valor de mercado. O mundo, de fato, mudou — e não faz tanto tempo assim. Há pouco mais de uma década, eram as instituições financeiras dos países em desenvolvimento que assombravam os investidores. Hoje, elas parecem ser o porto seguro num mercado agitado pelas instabilidades das nações ricas.

Exame

Link: Muito longe do subprime

Geração de Energia: Setor volta a fechar contratos de longo prazo

Publicado por Gandalf às 7/28/2008 08:57:00 AM

Depois de quase um ano sem conseguir chegar a um acordo, geradores e consumidores livres de energia voltaram a fechar contratos de longo prazo. As perspectivas da maior disponibilidade de gás a partir de 2011 e de mais chuvas no segundo semestre, com base na tendência verificada este ano e em previsões meteorológicas, impulsionam esse movimento, que também reflete um amadurecimento dos agentes envolvidos neste mercado.

Apesar dos dias secos de julho no Sul e Sudeste, de fevereiro a junho, as chuvas ficaram um pouco acima da média das expectativas do Operador Nacional do Sistema (ONS), diferente do ano passado, quando elas ficaram abaixo do esperado. Além disso, há projeções de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, fenômeno chamado El Niño, o que aumentaria as chuvas nas regiões Sul e Sudeste. As melhores condições poderão colocar o valor da energia negociada no curto prazo - conhecido como Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) - em queda. Foi essa expectativa que permitiu aos agentes do setor chegar a um meio termo sobre os preços a serem negociados para o futuro.

O cenário que preponderou desde meados de 2007 foi de poucas chuvas e de falta de combustíveis, além da insegurança sobre a oferta futura sem novos projetos licitados. Isso jogou para cima o PLD já que as geradoras podem liquidar a energia sobre esse preço caso ela não seja contratada. Acima de R$ 150 desde setembro do ano passado, em janeiro de 2008, o PLD chegou aos R$ 500 o megawatt/hora (MW/h), mas condições favoráveis podem derrubar fortemente esse preço, como em fevereiro do ano passado, quando foi para R$ 17,59 o MW/h. Em junho, ele ficou em R$ 76,20.

Com a mudança de situação, as geradoras estão sendo orientadas a buscar contratos de longo prazo, já que não se mostra mais tão vantajoso segurar sua energia. O volume do insumo negociado hoje pela comercializadora Comerc no longo prazo (mais de cinco anos), já é 55% maior que há um ano. "Isso demonstra o interesse dos consumidores, bem como dos geradores, em já buscar um instrumento de hedge de longo prazo, ao invés de aguardar e negociar contratos futuramente", diz Marcelo Parodi, presidente da Comerc.

Os consumidores, por sua vez, estão aceitando que o preço justo da energia é mais alto do que consideravam no ano passado. Segundo Paulo Toledo, da comercializadora Ecom Energia, a percepção do comprador hoje é diferente. "Compradores começam a aceitar preços em outros patamares, e geradores estão melhorando o seu preço desde que vendam no longo prazo." No ano passado, Toledo diz que cerca de 20% dos clientes achavam vantajoso fechar contratos no longo prazo, mas poucos conseguiam. Hoje, a porcentagem de interessados já chega a 50% dos clientes, e as ofertas aumentaram. "Estamos conseguindo fechar alguns acordos de venda por até 10 anos", diz.

A situação mais favorável permitiu que a fabricante de materiais de construção Duratex assinasse recentemente um contrato de fornecimento de energia até 2027, assegurando assim seus projetos de expansão da produção. Além da segurança, Plínio do Amaral Pinheiro, vice-presidente executivo da Duratex, diz que os preços obtidos foram vantajosos. "Faz parte da nossa estratégia de redução de custos." Outra grande empresa que conseguiu garantir energia contratada foi a Votorantim, que no fim de junho acertou com a Light o fornecimento de 100 MW médios até 2027, um negócio de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Segundo Parodi, as geradoras estão fechando contratos em dois patamares, com um preço mais alto até 2012, em média R$ 175 MW/h, caindo para R$ 135 MW/h a partir de 2013. A entrada de 6,45 mil megawatts no sistema elétrico vindo das usinas do Rio Madeira a partir de 2012 e a finalização do plano da Petrobras que elevará a oferta de gás para 70 milhões de m³/dia em 2011 permitirão os preços menores no mercado livre.

João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade e Canellas, vê mais maturidade no mercado, e a busca de soluções para fechar contratos de longo prazo mostra que os agentes perceberam que ficar sem contrato não é bom para nenhum dos lados. "O preço no PLD é imprevisível." Segundo ele, no ano passado os acordos não eram fechados por conta da intenção de cobrir todo o contrato com base no preço mais caro.

Todos esses pontos são indícios de que o mercado caminha para um período de equilíbrio, segundo Paulo Pedrosa, presidente da Abraceel, representante das comercializadoras de energia. Ele alerta, no entanto que ainda há pouca oferta de energia no mercado, e dessa forma, a assinatura de contratos de longo prazo está concentrada em grandes empresas. "Esse fenômeno infelizmente ainda é restrito", diz. A comercializadora Tradener, por exemplo, diz que ainda não está fechando contratos com mais de cinco anos. "Algumas empresas conseguem, mas entre as menores há grande dificuldade", diz Walfrido Ávila, presidente da Tradener.

Apesar dessa falta de lastro, estima-se que estejam sendo liquidados cerca de 3 mil MW todo mês no mercado spot, volume significativo que poderia ser contratado a prazos longos. Felipe Barroso, da consultoria Bio Energias diz que realmente há energia disponível para ser contratada, mas nem sempre é interessante vendê-la. "Começa a haver uma reversão da expectativas. Pode ser que o PLD atinja seu mínimo. Esse sistema de formação de preços é míope, e uma grande chuva já joga o preço de energia para baixo."

Para Ricardo Lima, presidente da Abrace (grandes consumidores de energia), apesar de algumas negociações fechadas, a situação ainda preocupa quem está em busca de novos contratos. "O déficit de contrato ainda é grande, e as empresas têm encontrado dificuldades para expandir a produção", diz. Segundo último levantamento da Abrace do ano passado, há cerca de 10% do consumo de empresas do mercado livre descontratados para os próximos anos e que estão sendo cobertos com contratos de curto prazo.

Valor

Link: Setor volta a fechar contratos de longo prazo

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