Chinesas devem resistir a reajuste pedido pela Vale

Publicado por Gandalf às 9/04/2008 09:43:00 PM

As siderúrgicas chinesas devem resistir à tentativa da mineradora Vale de aumentar os preços do minério de ferro, afirmaram fontes nesta quinta-feira, indicando que não irão concordar facilmente com a proposta de reajuste de 20 por cento.

Quatro fontes na indústria siderúrgica chinesa confirmaram que a Vale enviou e-mail para clientes chineses para informar que ampliaria em 20 por cento o reajuste de 65 a 71 por cento dos preços do minério de ferro efetivo a partir de 1o de setembro. O aumento seria excepcional no meio do ciclo em que normalmente são negociados os reajustes.

Se aceito, o reajuste adicional colocaria o aumento do minério brasileiro em linha com o obtido por mineradoras australianas em julho. Isso colocaria mais pressão sobre uma indústria que tem dificuldades para repassar o custo mais alto das matérias-primas ao consumidor final.

A maior siderúrgica chinesa, a Baosteel, que encabeça os termos de negociações para todas as siderúrgicas chinesas, está consultando o governo para uma resposta adequada depois de ser abordada pela Vale em meados de agosto, afirmou uma fonte da indústria.

'Não estamos propensos a aceitar o pedido. Os preços do minério de ferro estão cedendo nos últimos dias na China e um aumento de 20 por cento soa como um pedido inaceitável', afirmou outra fonte de uma grande siderúrgica chinesa, que preferiu não se identificar.

As empresas chinesas do setor preferiram não se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Uma forte queda nas taxas de frete, que tornaram os produtos brasileiros relativamente baratos em relação às cargas australianas, deu à Vale a oportunidade que precisava para pressionar por um aumento adicional, acrescentaram as fontes.

Na véspera, a Vale divulgou comunicado ao mercado afirmando que desconhecia o aumento adicional de 20 por cento após o assunto ter sido divulgado por uma publicação especializada.

Procurada nesta manhã por conta da informação de fontes na China, a assessoria da Vale repetiu o teor do comunicado de quarta-feira.

Reuters

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Governo confirma plano de privatizar aeroportos Galeão e Viracopos

Publicado por Gandalf às 9/04/2008 08:55:00 PM

O ministro Nelson Jobim (Defesa) confirmou nesta quinta-feira que o governo federal estuda passar para a concessão do setor privado o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, e o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (São Paulo). O ministro disse que o governo examina o modelo das concessões, mas adiantou que as empresas devem ter autonomia para administrar integralmente os dois aeroportos.

Jobim disse que o objetivo do governo, ao passar o controle dos aeroportos para o setor privado, será melhorar a "eficiência e a concorrência" dos serviços oferecidos aos passageiros.

"Você poder avaliar o tipo de serviço, o que a Infraero presta em outros aeroportos, o que ela vai continuar fazendo. Você estabelece mecanismo de concorrência que nos dá segurança de que isso volta tudo em torno do próprio servidor, do usuário", afirmou.

Segundo Jobim, o governo tem em andamento dois estudos para definir como será a concessão dos aeroportos para o setor privado. O primeiro deles analisa o modelo de concessão, uma vez que é prerrogativa da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) fiscalizar os aeroportos.

Jobim disse que as concessões incluem autorização para que as novas empresas executem obras nos dois aeroportos - o que abre caminho para que as novas empresas reformem o Tom Jobim para 2016, caso o Rio seja escolhido sede dos Jogos Olímpicos. "Você não faz concessão para que o governo faça obras", afirmou.

O segundo estudo tem como objetivo encontrar soluções para os funcionários da Infraero que trabalham nos dois aeroportos. Jobim assegurou que os funcionários não serão "abandonados" após a privatização. "Nós temos que dar uma solução também para esses funcionários para que sejam absorvidos pela Infraero na sua estrutura global. Não vai ser abandonar pelo caminho os seus funcionários. Mas isso são estudos iniciais, são preliminares", disse.

O ministro afirmou que a responsabilidade do Estado sobre os aeroportos está no que diz respeito ao controle do espaço aéreo --com o restante sob responsabilidade das novas concessionárias. 'Se nós vamos conceder o aeroporto, concede-se toda a estrutura do aeroporto, ou seja, a operação do aeroporto passaria a ser feita pelo concessionário. Mas é matéria que estamos analisando ainda', disse.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou hoje, em Londres, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende concessionar para o setor privado, além do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (São Paulo).

Segundo nota enviada à imprensa pela assessoria de Cabral, Lula confirmou a informação em telefonema feito nesta quinta-feira. A Infraero, estatal que administra os aeroportos, havia informado que Jobim foi autorizado por Lula a pedir estudos para a concessão dos aeroportos.

"O presidente me informou que se reuniu nesta semana com o ministro da Defesa e que nas próximas semanas o modelo da concessão será finalizado. Para nós, do Rio, é uma notícia extraordinária, já que estamos em campanha para sediar as Olimpíadas de 2016', afirmou Cabral no comunicado.

Cabral declarou ainda que Lula disse entender que o Brasil "precisa viver esta experiência". "Com essa decisão, o Tom Jobim terá um novo destino para o bem do Rio e do Brasil, porque resolvemos o maior entrave para a campanha pelos Jogos de 2016."

Folha

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Consumo interno de etanol deve crescer mais de 50% até 2011

Publicado por Gandalf às 9/04/2008 07:03:00 PM

Um estudo divulgado hoje (4) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o consumo nacional de etanol aumente 50,46% até 2011, em relação ao ano passado. De acordo com o levantamento intitulado O etanol como um novo combustível universal, a demanda interna de álcool deve saltar dos 16,47 bilhões de litros consumidos em 2007 para 24,7 bilhões de litros em 2011.

Grande parte do etanol deve ser utilizada como combustível da frota brasileira de veículos flex. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados também hoje, apontam que os automóveis bicombustíveis já representam 88% do total de automóveis vendidos em agosto. Segundo a Anfavea, desde março já foram comercializados 6,2 milhões de carros flex no país.

O estudo da Conab estima também que as exportações de etanol cresçam ainda mais nos próximos quatro anos: 72,85%. No ano passado, foram exportados 3,53 bilhões de litros. Em 2011, o volume de etanol enviado ao exterior deve chegar a 6,10 bilhões de litros.

Projeções para a safra 2008 feitas pela Conab registram que a produção de etanol deve consumir a maior parcela da do total da cana-de-açúcar colhida no país. Segundo a companhia, dos 710,28 milhões de toneladas de cana que serão colhidas neste ano, 317,82 milhões de toneladas serão destinadas à produção de álcool, ou seja, 44,74%.

Essa quantidade é 17,29% maior do que a utilizada no ano passado. Desse total, 63,76% servirá para a produção de álcool hidratado, que é vendido nos postos como combustível, e o restante, para a produção de álcool anidro, que pode ser misturado à gasolina.

Agência Brasil

Link: Consumo interno de etanol deve crescer mais de 50% até 2011

Lojas Renner compra a Leader por R$ 670 milhões

Publicado por Gandalf às 9/04/2008 04:16:00 PM

A Lojas Renner anunciou nesta quinta-feira a aquisição da concorrente Lojas Leader e de metade do braço financeiro da empresa, a Leader Crédito, por R$ 670 milhões. Parte do pagamento (R$ 230 milhões) será pago parceladamente ao longo de cinco anos, e o restante no fechamento da operação.

A Lojas Leader possui 39 unidades nos Estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Seu foco de atuação é o comércio varejista de moda feminina, masculina e infantil, utilidades para o lar, cama, mesa e banho, brinquedos, lingerie, calçados e acessórios.

"A operação representa mais um passo importante na consolidação dos negócios da Companhia no setor de varejo no Brasil, estando alinhada à sua estratégia de crescimento e de criação de valor para os seus acionistas", disse a Renner em comunicado ao mercado.

Com a aquisição, a Renner tem duas ambições: chegar mais perto da líder do segmento, a C&A, e buscar clientes em classes mais baixas do que a que atualmente trabalha, o que é o foco da Leader.

Sobre a Leader Crédito, foi firmado com o Bradesco (dono da outra metade da empresa) um contrato de opção de compra e venda, onde ambas as partes possuem uma opção firme para adquirir a parte do outro.

Os acordos ainda terão que ser ratificados pelos acionistas da Renner, o que ocorrerá em meados de outubro.

Folha

Link: Lojas Renner compra a Leader por R$ 670 milhões

SkyWest, dos EUA, compra 20% da Trip Linhas Aéreas

Publicado por Gandalf às 9/04/2008 03:56:00 PM

A SkyWest, maior empresa aérea regional americana, anunciará nesta quinta-feira (04) a compra de 20% do capital votante da Trip, maior empresa aérea regional brasileira, revelam fontes do setor. Esse é o primeiro investimento de uma operadora estrangeira no mercado de aviação brasileiro. A participação de 20% do capital com direito a voto corresponde ao limite máximo permitido pela legislação brasileira para o setor.

A Azul Linhas Aéreas, que o americano David Neeleman pretende lançar até o final do ano, nasce como um investimento brasileiro, uma vez que o empresário nasceu no Brasil e tem dupla cidadania. A Azul tem sócios americanos, mas todos são fundos de investimento.

SkyWest e Trip iniciaram negociações há mais de cinco meses. A iniciativa partiu de José Mário Caprioli, presidente da Trip. Com a retração do mercado americano, a Skywest separou 10% de seu capital para investir em outros mercados. Além do Brasil, a empresa analisou o México e a China.

Apesar da limitação de 20% no capital estrangeiro, o crescimento de dois dígitos da aviação brasileira nos últimos anos foi o que atraiu Jerry Atkin, presidente da SkyWest. De janeiro a julho, a aviação brasileira cresceu 10%. Em 2007, o crescimento foi de 11,9% e em 2006, de 12,3%.

"Vamos ajudar a treinar pessoas e, com nosso poder de compra, podemos ajudar a reduzir custos. Vamos ajudar a organizá-los para que possam ampliar a operação de 10 a 20 aviões e se transformarem em uma grande operadora regional", declarou Atkin à publicação Regional Aviation News, em maio. Na entrevista, Atkin contou que estava negociando a compra de uma empresa latino-americana, mas não revelou o nome.

Em comparação à SkyWest, a Trip é uma microempresa. Enquanto a SkyWest faturou US$ 1,8 bilhão no primeiro semestre, a Trip deve fechar o ano de 2008 com receita bruta de R$ 290 milhões. A SkyWest opera 442 jatos regionais e turboélices e atende 159 cidades. Com 18 turboélices, a Trip voa para 60 municípios.

Mas apesar das dimensões, ambas operam de forma similar, servindo cidades pequenas e médias com aviões de até 75 lugares e em parceria com grandes operadoras. A SkyWest é parceira da United, Delta e Midwest. A Trip, da TAM. Enquanto a Trip opera com sua própria bandeira, a SkyWest funciona como uma empresa terceirizada. Os aviões levam o nome das parceiras e a SkyWest é responsável pela operação e pelo pessoal. A venda de bilhetes e os custos operacionais ficam por conta das parceiras.

A Trip é uma das companhias que mais cresce no Brasil. Saiu de 0,47% de participação em 2007 para 1,16% em julho deste ano. Em novembro, se fundiu com a Total, sua maior.

Estado

Link: SkyWest, dos EUA, compra 20% da Trip Linhas Aéreas

Pedido de recuperação da Agrenco ignora abertura de capital

Publicado por Odair às 9/04/2008 12:06:00 PM

O investidor da Agrenco que ler o pedido de recuperação judicial das subsidiárias brasileiras do grupo não entenderá o que foi feito do dinheiro que entregou à companhia, em 25 de outubro do ano passado, quando a empresa listou ações na Bovespa e obteve R$ 666 milhões.

O documento, que está aberto ao público no endereço eletrônico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), não menciona a capitalização ocorrida no ano passado — a maior já obtida pela companhia. Foi solicitada a abertura de processo para Agrenco Brasil, Agrenco Serviços, Agrenco Administração e Agrenco Bioenergia.

A empresa sofre dificuldades desde o começo deste ano e a situação se agravou depois da prisão dos três sócios controladores, em 20 de junho, na Operação Influenza da Polícia Federal (PF). Os executivos, soltos em julho, são suspeitos de fraudes, desvio de recursos da empresa e sonegação fiscal, entre outros.

Desde então, a empresa negociaumaporte de capital com seis potenciais interessados em ficar com as operações. O processo de negociação vem sendo conduzido pelo banco de investimentos JP Morgan. Os próprios interessados pediram pela recuperação, com intuito de proteger a empresa dos credores e, especialmente, os novos recursos que eventualmente investirão na empresa.

O pedido de recuperação judicial, registrado em 27 de agosto, feito pelo escritório Felsberg & Associados, não trata da abertura de capital da companhia. Ao contrário, trata 2007 como um exercício de escassez de recursos. “Vale lembrar e ressaltar, para que não restem dúvidas sobre sua crise econômico-financeira, que as requerentes além de se encontrarem em momento de necessidade premente de caixa para finalizar a construção de suas fábricas encontram-se recuperando o fôlego despendido durante o ano de 2007, quando sofreu grandioso prejuízo e falta de caixa, sendo óbvio que o lucro obtido no primeiro trimestre deste ano foi utilizado para recompor o caixa corroído no último exercício social.”

Thomas Felsberg, advogado da companhia, alega que os dados da capitalização na Bovespa são “públicos e amplamente conhecidos” e que não havia necessidade de discorrer sobre o tema na pedido de recuperação.

Segundo Marco Antonio deModesti, gerente de relações com investidores da empresa, o cenário de 2007 agravou-se no fim do exercício, portanto, nos dois meses posteriores à oferta de ações (BDR) na bolsa, feita pela holding Agrenco Limited, sediada em Bermudas.

Os recursos obtidos foram direcionados, especialmente para pagamento de parte das dívidas (67,5% do valor obtido) e reforço no capital de giro (24,5%). A companhia esperava captar perto de R$ 1 bilhão. Quando essa era a expectativa, 35% do novo dinheiro seria direcionado a investimentos. Porém, diante da menor captação, os recursos foram concentrados na estratégia financeira.

A companhia esperava pagar parte de suas dívidas e, na seqüência, obter novos empréstimos, em condições melhores. Entretanto, de acordo com o executivo, o agravamento da crise hipotecária nos Estados Unidos iniciada em julho de 2007, e os problemas enfrentados pela Selecta, do mesmo setor, dificultaram a obtenção de novos recursos.

Por conta disso, a companhia vinha, desde fevereiro, estudando a possibilidade de obter recursos de um novo sócio. No último balanço publicado pela holding estrangeira, do primeiro trimestre, o grupo tinha R$ 1,2 bilhão em dívidas — com 80% dos vencimentos concentrados no curto prazo — e apenas R$ 52 milhões em caixa.

O pedido de recuperação entregue à Justiça, porém, credita as dificuldades financeiras à prisão dos sócios e as dificuldades de credibilidade da companhia. “Dentro de um cenário normal de atividades e (principalmente) de credibilidade, tal endividamento seria absolutamente administrável pelas requerentes, cujo faturamento seria mais do que suficiente para quitar tanto os juros quanto o principal de seu custo financeiro, nos moldes contratados”, diz o documento.

A gestão do negócio está nas mãos de José Guimarães Monforte, James Wright e Cássio Casseb, que coordenam conjuntamente o conselho de administração da empresa desde a prisão dos sócios. Monforte e Wright são ligados à empresa desde seu projeto de criação, há mais de 15 anos. Casseb, por sua vez, chegou em março deste ano, já para ajudar na administração financeira da companhia.

No pedido de recuperação judicial, a companhia anexou uma demonstração resumida da situação das empresas no fim de junho. A Agrenco Bioenergia, holding brasileira do grupo, teve receita líquida de R$ 990,3 milhões e prejuízo de R$ 285,1 milhões. A companhia tinha um dívida total de R$ 2,1 bilhão, considerando compromissos de R$ 1,7 bilhão com partes relacionadas — empresas ou pessoas do mesmo grupo econômico.

As ações estão suspensas na Bovespa desde 27 de junho, quando a empresa divulgou oficialmente a aprovação do pedido de recuperação judicial por seu conselho de administração. No último dia de negociação, os papéis fecharam valendo R$ 0,44. Quando estrearam, foram vendidos aos investidores por R$ 10,40.

O deferimento do pedido pela Justiça, que encerra essa primeira etapa dos trabalhos, depende da finalização da entrega de documentos pela companhia à Justiça, o que deve ocorrer ainda nessa semana, segundo Felsberg. A partir de então, será aberto o prazo de 60 dias para apresentação de um plano de recuperação aos credores.

Valor

Link: Pedido de recuperação da Agrenco ignora abertura de capital

Refino é o maior gargalo da era pré-sal

Publicado por Odair às 9/04/2008 09:55:00 AM

Rio de Janeiro, 3 de Setembro de 2008 - Qualquer que seja o modelo escolhido pelo governo para explorar as reservas do pré-sal, a meta de exportar derivados em vez de petróleo, defendida pelo presidente Lula, esbarra na falta de investidores interessados em construir novas refinarias. Estudos solicitados pelo governo para definir as regras da nova fronteira petrolífera alertam o Planalto para o gargalo do refino. Também mostram que a decisão pelo sistema de partilha aumenta inegavelmente o controle do Estado sobre as reservas, mas pode ser uma alternativa menos lucrativa para a União do que o atual regime de concessão, se a prioridade for arrecadação de recursos.

"Mostramos que se a prioridade do governo for dinheiro, o modelo de concessão tem potencial para ser o mais lucrativo. Se a prioridade for controle das reservas, o governo deve ficar com a partilha", afirmou o autor de um dos estudos em análise pelo grupo interministerial criado para definir as regras do pré-sal. A expectativa da comissão de ministros é decidir ainda nesta semana qual modelo adotar para, em seguida, começar a pensar nas medidas necessárias para a implementação das novas regras.

Independemente da criação de uma nova estatal ou de uma "turbinada" na Petrobras, o desejo do governo de agregar valor ao petróleo do pré-sal pode esbarrar na falta de capacidade instalada para abrigar tamanha produção de petróleo. Por maiores que sejam os investimentos da Petrobras em refino, não alcançam a capacidade de produção nem do que já foi descoberto, quanto mais de todas as reservas do pre-sal. Com US$ 5,3 bilhões em projetos de expansão e US$ 3,9 bilhões na adaptação das refinarias ao óleo pesado da bacia de Campos, a empresa planeja processar 3 milhões de barris de petróleo em 2015. Hoje, as refinarias brasileiras - 99% do refino é da Petrobras - processam 1,99 milhão de barris de combustíveis. Além do plano de investimento de 2008 a 2012, a empresa anunciou a construção de mais três refinarias, que aumentariam a capacidade de refino em cerca de um milhão de barris. No Maranhão, o projeto prevê a produção de 600 mil barris por dia de derivados. A refinaria do Ceará teria capacidade para processar outros 300 mil barris e a do Rio Grande do Norte mais 30 mil barris diariamente.

Os investimentos da Petrobras, portanto, dobram a capacidade de refino, para 4 milhões de barris por dia. Somente a produção de Tupi e campos adjacentes, sem considerar as áreas da União, seria da ordem de 5 milhões, segundo relatório do banco UBS. Estima-se uma reserva de 50 a 70 bilhões de barris. Hoje o País produz cerca de 2 milhões de barris de óleo, sem considerar Tupi.

"Quem é que vai querer investir em refino, além da Petrobras?", questiona o autor do estudo. Uma fonte do setor de distribuição de combustíveis que também prefere não se identificar avalia que os investidores continuam retraídos com relação ao refino. A política de preços de gasolina e diesel não torna atraente a atividade. A Petrobras mantém os preços dos combustíveis, com reajustes esporádicos, mesmo com a alta do preço do petróleo. "É muito arriscado investir em refino deste jeito", disse. O gargalo afeta o governo tanto na partilha quanto na concessão.

Na partilha, a produção é administrada pela União, que pode produzir muito e exportar grandes volumes de petróleo ou derivado ou frear a produção conforme as necessidades do mercado. A União pode convidar empresas para a exploração. Na concessão, a produção é das empresas que descobrem o óleo. O modelo de partilha é dado como certo nos bastidores. Alguns garantem que o governo já decidiu criar uma estatal para administrar o pré-sal no modelo de partilha.

O medo do governo ao adotar o regime de partilha, porém, é o enfraquecimento da Petrobras. Teoricamente, a empresa não poderia herdar da União as reservas não licitadas porque se trata de uma companhia privada, apesar do controle estatal. Analista e lobistas também argumentam que a Petrobras não teria caixa suficiente para realizar os investimentos necessários, que, segundo alguns bancos de investimentos, podem alcançar o valor do PIB brasileiro - US$ 1,2 trilhão. Há também uma corrente falando em aumento de capital do Estado na Petrobras, de maneira que permita a empresa desenvolver as áreas não licitadas do pré-sal.

Gazeta Mercantil

Link: Refino é o maior gargalo da era pré-sal

Visanet planeja captar R$ 6,7 bilhões com IPO

Publicado por Odair às 9/04/2008 08:50:00 AM

A Visanet, credenciadora exclusiva no Brasil da bandeira Visa, concluiu em agosto uma revisão de planejamento estratégico de longo prazo, parte da preparação para a estréia no Novo Mercado da Bovespa, que promete bater a captação da concorrente Redecard. Uma das propostas para aumentar o volume de transações foi apresentada ontem pelo diretor de canais, Paulo Guzzo, e pelo vice-presidente de produtos da Visa do Brasil, Eduardo Chedid, focada no processamento de transações de compra com cartão de crédito ou débito por celular.

Segundo os executivos, a idéia é estender a transação com bandeira Visa para segmentos até agora fora das operações, como feiras livres, serviços de entrega e táxis. Também faz parte desse novo projeto a antecipação de recebíveis, a partir deste mês, à sua rede de estabelecimentos credenciados (relativos aos valores das transações com cartões Visa). No piloto, as transações poderão ser efetuadas por portadores dos cartões do Banco do Brasil.

O momento é propício para anunciar novidades. A companhia de meios de pagamento publicou ontem o prospecto de distribuição pública e mostra que está longe de estagnar na zona de conforto - no primeiro semestre do ano, a participação do lucro líquido sobre a receita líquida da Visanet foi de 63,8%. A oferta secundária de ações terá preço formado através do processo de bookbuilding, conduzido no Brasil e no exterior.

Os acionistas BB, Bradesco e Banco Real (agora do grupo Santander) são os maiores emissores de cartões de bandeira Visa no Brasil, em volume financeiro de transações. O BB, que possui hoje 31,63% das ações ordinárias da Visanet, tem 75 milhões de cartões Ourocard (crédito e débito) em circulação, sendo mais de 80% da bandeira Visa, segundo Denilson Molina, gerente executivo da diretoria de cartões do banco.

O Grupo Bradesco, que coordena a oferta através do BBI, é também acionista da Visanet mas apenas as controladas Banco Alvorada e Elba Holdings entram como ofertantes. Assim, o grupo vai manter no mínimo 18,7% de participação da Visanet S.A., e nos seis meses subsequentes à primeira oferta não pode se desfazer dos papéis remanescentes, assim como os membros do Conselho de Administração da ofertante e Santander.

Conforme regra do Novo Mercado, a companhia assegura o tratamento igualitário ao acionista controlador e minoritário, em caso de alienação de controle, com 100% de tag along. A concorrente Redecard, credenciadora de cartões das bandeiras Diners e Mastercard, também se listou no Novo Mercado e vendeu suas ações por R$ 27,00 em oferta pública no ano passado, acima da margem inicial estimada, entre R$ 20 e R$ 25. Captou R$ 4,64 bilhões - então um recorde de captação na Bovespa desde a reabertura do mercado, em 2004.

Mesmo com a turbulência das bolsas mundiais, acumula 12,56% de valorização desde o IPO, a R$ 29,01 no primeiro dia do mês, e tem preço alvo acima de R$ 35 conforme as corretoras que acompanham a empresa. Os analistas do Unibanco acreditam num preço justo de R$ 42,70 para a ação, enquanto a avaliação do Goldman Sachs é de R$ 36,70, mas sem recomendação de compra.

A Redecard também tem como principais acionistas conglomerados financeiros (Citibank, Itaú e Unibanco), com 36,6% das ações em circulação no mercado. Se tiver a mesma base da concorrente (mesmo percentual de ações vendidas e preço por papel), a Visanet vai captar R$ 6,74 bilhões.

No caso da Redecard, a demanda pelos papéis no IPO excedeu em 12 vezes o volume da oferta, o que sinaliza boas perspectivas para a oferta da Visanet, mesmo num momento menos favorável. Afinal, a ressaca dos investidores com a crise internacional não tem impedido o bom desempenho das companhias que ousam fazer oferta num momento turbulento - a OGX Óleo e Gás captou R$ 6,71 bilhões em junho. A diferença é que a oferta da OGX foi voltada exclusivamente para investidores qualificados.

Também pesa a favor da Visanet o sucesso da oferta pública da dona da bandeira. Nos Estados Unidos, a Visa captou US$ 17,8 bilhões em março, o maior volume da história nos Estados Unidos.

Gazeta Mercantil

Link: Visanet planeja captar R$ 6,7 bilhões com IPO

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