Publicado por Odair às 1/15/2009 11:49:00 AM
O grupo Cosan, maior processador individual de cana do mundo, está prestes a concluir a primeira aquisição de terras por meio de sua empresa de investimentos imobiliários rurais, a Radar. A companhia sucroalcooleira, que nesta safra 2008/09 bateu novo recorde de produção (ver matéria abaixo), também analisa a compra de usinas.
Criada em agosto do ano passado, a Radar é uma empresa do grupo em parceria com um fundo de investimentos americano para a aquisições de áreas agrícolas. O interesse da Cosan em terras surgiu quando a empresa decidiu fazer investimentos em projetos "greenfield" (construção a partir do zero) em Goiás, há cerca de dois anos, e percebeu que o mercado de terras agrícolas estava superaquecido. A primeira aquisição da Radar deverá ser em São Paulo, na região central do Estado, de uma propriedade de quase 20 mil hectares.
As aquisições de usinas em operação ("brownfield") também estão na mira da gigante. O grupo analisa um leque de dez unidades no momento, mas nada ainda foi fechado. Em entrevista ao Valor, Pedro Mizutani, vice-presidente geral do grupo, disse que a Cosan estuda boas oportunidades de negócios, uma vez que os preços dos ativos (usinas) caíram nos últimos meses com a crise financeira global.
"O grupo criou uma divisão de M&A [fusões e aquisições] para analisar oportunidades de negócios", afirmou Mizutani. A decisão de criar esse departamento específico para essas operações foi tomada no segundo semestre do ano passado, quando o grupo estava em processo de conclusão para a compra da Esso.
"Estamos analisando várias propostas, mas não podemos comprar simplesmente por comprar", afirmou Mizutani. Segundo ele, há estudos para usinas em São Paulo, maior produtor do país, e fora do Estado, como em Minas Gerais e Goiás, por exemplo. "Apesar da logística ser mais cara fora de São Paulo, os incentivos fiscais desses Estados são mais atraentes". Entre as oportunidades em análise pela companhia está uma possível parceria com o grupo Nova América, que está em busca de um sócio.
Entre decidir comprar uma usina e concluir o negócio, Mizutani explicou que a negociação dura pelo menos 90 dias. Fora do Brasil, o grupo também analisa aquisições, sobretudo no Caribe, México e nos EUA. "Estamos de olho no mercado americano de álcool. Mas ainda não há nada fechado nesse sentido." As aquisições fora do país e as parcerias com empresas estrangeiras em unidades no Brasil estão em "stand-by" por conta da crise, de acordo com Mizutani. "Temos conversado com vários grupos japoneses e outros, mas não houve avanço [a Shell teria inclusive demonstrado interesse em parcerias com o grupo no Brasil]."
Por ser o braço direito do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do grupo Cosan, a opinião de Mizutani no processo de aquisição de uma usina é cabal dentro da companhia. Mizutani é o executivo operacional do grupo e conhece bem todos os processos de uma unidade sucroalcooleira.
Formado em engenharia de produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o executivo ingressou no grupo há 26 anos como trainee na usina Costa Pinto, de Piracicaba (SP). "Demorei dez anos até conhecer o Rubens", lembrou Mizutani. "Ao assumir a São Francisco [uma das usinas adquiridas pela Cosan] nós nos aproximamos", disse.
Não por acaso, Pedro Mizutani é um dos principais responsáveis pelo processo de regionalização do grupo. "A Cosan tinha quatro regionais no Estado [regiões de Jaú, Araraquara, Piracicaba e Araçatuba]. Outras regionais foram instaladas nas regiões de Andradina, Ourinhos e Igarapava", afirmou o executivo.
O único pólo onde a Cosan ainda não está presente no Estado de São Paulo é a região de Ribeirão Preto. E não foi por falta de tentativa. O grupo fez uma oferta hostil para a compra da usina Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP), mas não obteve sucesso. Meses depois, a Vale se fundiu com a Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), criando a Santelisa Vale. "Essa região concentra um volume de usinas de grande porte. É uma aquisição que tem de ser bem estudada." O "ainda" tem de ser ressaltado, uma vez que o grupo mira grandes negócios naquela região.
Valor
Link: Cosan mira aquisição de terras e novas usinas