Publicado por Odair às 1/17/2009 08:05:00 AM
O silêncio das empresas após as notícias sobre a potencial saída do grupo Votorantim da CPFL e o interesse da Cemig na participação não acabou com os rumores no mercado. Nenhum acordo foi firmado até agora, mas, se realmente há quem queira vender e quem queira comprar, um negócio pode ser mera questão de tempo.
Enquanto a venda da participação do Votorantim na CPFL é apenas especulação, não sendo confirmada por nenhuma das partes, o interesse da Cemig é algo declarado pela própria empresa. De acordo com os analistas da Link Investimentos, a companhia admitiu ter mantido conversas com a rival para informar sobre sua posição, caso ocorresse alguma venda.
Procuradas pela redação da InfoMoney, nenhuma das três partes quis se manifestar sobre o assunto. Contudo, é importante avaliar os cenários potenciais, valores e reflexos da operação, caso a venda se concretize.
A princípio, a saída do grupo Votorantim da CPFL teria como objetivo reforçar o caixa da empresa, que perdeu R$ 2,2 bilhões com derivativos cambiais em outubro de 2008. Cabe lembrar ainda que o grupo faz parte dos acionistas da Aracruz, que também anunciou prejuízos com operações semelhantes.
Porém, se há fatores a favor da venda, há também aqueles contrários. "Na semana, o grupo Votorantim vendeu uma participação no Banco Votorantim ao Banco do Brasil, e deve embolsar R$ 3,75 bilhões nessa transação, o que ajudaria a reforçar seu caixa e daria folga para não vender a participação na CPFL ou pelo menos folga para negociar a um preço mais caro", explica a Link, em relatório.
Do lado dos motivos para a compra, os analistas ressaltam principalmente o fato de que a participação na CPFL seria um dos poucos grandes ativos maduros do setor elétrico disponíveis atualmente. Embora a empresa mais cotada como compradora seja a Cemig, a corretora avalia os interesses de outras empresas, como Neoenergia, Camargo Corrêa, Equatorial, Eletrobrás e Energias do Brasil.
Em linha com a estratégia de expansão da empresa, uma potencial aquisição da CPFL tem como pontos positivos para a Cemig a forte atuação da empresa em distribuição, principalmente em mercados onde a Cemig não está presente, como no Rio Grande do Sul e em São Paulo. A Link cita também os ativos de geração da CPFL, com capacidade total de 1.738 MW.
Do lado negativo são listados o aumento do endividamento da empresa mineira, o que representa um problema principalmente devido ao cenário de crise atual, e o fato do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ser acionista da CPFL através da BNDESPar, o que poderia dificultar a liberação do financiamento.
Em sua análise, a Link fez um estudo com cinco cenários potenciais para o preço da operação, baseados no múltiplo FV/Ebitda (valor de mercado acrescido do endividamento líquido sobre geração operacional de caixa) da Cemig e da CPFL, acrescentando prêmios de 20% a 40%. "Dado que a participação do Votorantim na CPFL é responsável por uma geração de Ebitda de R$ 410 milhões, calculamos quanto a Cemig precisaria investir para gerar o mesmo caixa no seu múltiplo ou nos outros múltiplos", explicam os analistas, indicando que esse montante seria o quanto o mercado poderia descontar de seu valor de mercado.
Após calcular como ficariam os indicadores de Dívida Bruta/Ebitda e Capex/Ebitda (capital de investimento sobre Ebitda), os analistas concluíram que "no caso de uma aquisição, que seria um caso excepcional, a alavancagem da Cemig aumentaria, porém ficaria dentro dos limites". Porém, a corretora completa que "o momento é de crédito caro e escasso, o que encareceria essa maior alavancagem e seria negativo para a empresa".
De acordo com a análise da Link Investimentos, caso a venda realmente seja confirmada, a aposta dos analistas como compradora mais forte seria a Neoenergia, devido à força de seu bloco de controle, sua alta posição de caixa, o financiamento do BNDES e o interesse declarado de aumentar seus ativos de geração. Além disso, o presidente do conselho de administração da empresa, Joilson Rodrigues Ferreira, já foi vice-presidente do conselho da CPFL, o que poderia facilitar a negociação.
Outra candidata citada pela mídia era a Camargo Corrêa, que teria recusado a proposta de compra. Dentre os demais nomes levantados pelos analistas se encontram a Equatorial, devido à pretensa estratégia de expansão; a Eletrobrás, pelo seu porte e o market cap de R$ 29 bilhões; e, por fim, a Energias do Brasil. Cabe ressaltar, entretanto, que a corretora acredita ser difícil que qualquer uma dessas empresas faça um investimento desse porte no atual cenário, apostando realmente na Neoenergia ou na Cemig.
Infomoney
Link: CPFL à venda? Analistas avaliam interessadas e possíveis valores da compra

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