Usiminas com Arcelor preparariam consolidação do setor siderúrgico

Publicado por Odair às 1/27/2009 09:17:00 PM

Odair Gomes
Investidor Informado

Uma possível fusão no setor siderúrgico brasileiro estaria em gestação, o avanço seria comandado pela Usiminas, através de seus controladores, Nippon Steel, Votorantim e Camargo Correia, além de fundos de pensão e BNDES.

A construção da nova siderúrgica se daria com a fusão da Usiminas com a ArcelorMittal, que estaria interessada em se desfazer de seus ativos no Brasil. A informação foi negada pela ArcelorMittal que possui quatro grandes usinas que possui no país - ArcelorMittal Tubarão (CST), ArcelorMittal Aços Longos (Belgo-Mineira), ArcelorMittal Vega (Vega do Sul) e ArcelorMittal Inox (Acesita).

Outro fator importante é o interesse da Vale, que também faz parte do controle da Usiminas ,em investir capital novo na empresa, porém mesmo com a desistência é possível que outros dos controladores avancem com o projeto, desde que com o apoio do BNDES.

A nova siderúrgica teria capacidade instalada de aproximadamente 20 milhões de toneladas, com faturamento de R$ 26 bilhões de reais, produzindo aços planos, longos, especiais e galvanizado.

Pacote habitacional adiado

Publicado por Odair às 1/27/2009 08:04:00 PM

Foi adiado o anúncio do megaprograma habitacional do governo que seria lançado amanhã com direito a toques de trompas e clarins, além de discursos de Lula, claro.

Nem a Caixa Econômica Federal e nem o Palácio do Planalto definiram ainda a nova data de lançamento do pacote que pretende enfrentar a crise, gerando empregos e movimentando a economia.

As ações que estão sendo gestadas têm foco na população de baixa renda e classe média. Uma das novidades do pacote será a ampliação do teto do uso do FGTS de 350 000 reais para 500 000 reais para a compra da casa própria.

Os planos do governo continuam de pé. Mas, segundo a Caixa, faltam ainda pequenos ajustes para que o programa possa ser anunciado.

RadarOnline

Link: Pacote habitacional adiado

GOL e TAM acirram disputa com Azul; analistas continuam reticentes

Publicado por Odair às 1/27/2009 05:42:00 PM

Ao que parece, a tão aguardada disputa entre as duas líderes do mercado de transporte aéreo brasileiro, TAM (TAMM4)e GOL (GOLL4), e sua mais nova concorrente, Azul, finalmente tomou forma.

Operando voos a partir do aeroporto de Viracopos, em Campinas-SP, desde dezembro de 2008, a nova companhia aérea brasileira pleiteia seu lugar entre as grandes com estratégia baseada em rotas diretas entre cidades com oferta reduzida de assentos ou somente servidas por conexões.

No entanto, TAM e GOL já tomaram diversas medidas para tornar mais difícil a vida da nova empresa. Com base nas duas rotas iniciais (para Salvador e Curitiba) da Azul, as empresas decidiram baixar os preços e reestruturar sua malha.

A partir de 6 de fevereiro, a TAM passará a oferecer ligações sem conexão nas mesmas rotas operadas pela Azul, com preços semelhantes. Ao mesmo tempo, a GOL anunciou agressivas reduções de preços - para vários trechos, mas com grande destaque para as mesmas rotas operadas pela nova companhia.

“A mudança é esperada, com a intenção de aumentar a concorrência nos destinos oferecidos pela Azul, não deixando que a companhia estreante ganhe espaço de modo tão fácil", afirmaram os analistas da Link Investimentos.

Em sua interpretação, TAM e GOL pretendem aproveitar o momento de maior vulnerabilidade da Azul, que ainda inicia suas operações e possui pouco poder de mercado. "Continuamos reticentes com o cenário de demanda (doméstica e internacional) e provável aumento da concorrência, mantemos nossa recomendação de neutro para os papéis do setor", destacaram.

Infomoney

Link: GOL e TAM acirram disputa com Azul; analistas continuam reticentes

Justiça confisca estoques de TVs da Gradiente

Publicado por Odair às 1/27/2009 05:34:00 PM

Após algumas tentativas frustradas de voltar à atividade em 2008, a Gradiente sofreu mais um golpe na semana passada. Cansado de esperar por uma iniciativa da empresa, que não vem pagando os seus funcionários, o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho do Amazonas (MPT/AM), Audaliphal Hildebrando da Silva, pediu o confisco de cerca de dois mil televisores de plasma e LCD que estão nos estoques de sua fábrica, em Manaus.

"Esses televisores serão vendidos e o dinheiro será utilizado para pagar os funcionários da Gradiente", afirmou Silva ao Valor, por telefone. Segundo ele, a dívida trabalhista da empresa, que possui mais de 300 funcionários, está em torno de R$ 4 milhões.

Segundo informações veiculadas no site do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, o pedido do Ministério público foi executado na terça-feira da semana passada, quando 235 televisores de LCD e plasma foram removidos dos estoques da Gradiente. Procurada, a empresa não se manifestou sobre o assunto.

Em dezembro último, um representante do sindicato informou ao Valor que a Gradiente havia recebido uma encomenda para produzir 1,9 mil televisores de LCD. Na época, a empresa previa reabrir a fábrica na primeira quinzena de janeiro e prometera pagar os salários atrasados.

Segundo o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, os televisores que estão nos estoques da empresa já estariam pré-vendidos. No entanto, a Justiça está à espera de maiores informações para avaliar o valor da mercadoria confiscada. Ainda não se sabe também para que comprador esses televisores foram comercializados.

Segundo Silva, o próximo passo do Ministério Público será o confisco do aluguel que a Gradiente recebe da Honda, fabricante de motocicletas que possui fábrica em Manaus. O imóvel está alugado por cerca de R$ 50 mil por mês. No ano passado, segundo o procurador, a Gradiente teria recebido o pagamento adiantado dos aluguéis por um ano. Em abril deste ano, quando o acordo será renovado, o Ministério Público quer intervir para que o valor do aluguel seja destinado aos trabalhadores.

A agonia da Gradiente já se arrasta por vários meses. Em meados do ano passado, a empresa apresentou dois novos planos de recuperação a seus credores e, em ambos, esperava por um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O socorro pedido ao banco estatal chegava a R$ 300 milhões, mas o projeto não foi adiante. O presidente da fabricante brasileira de aparelhos eletrônicos, Eugênio Staub, também buscou uma associação com um investidor estrangeiro. Especulou-se no ano passado de que ele iniciara negociações com um empresário indiano, mas que não avançaram.

Mesmo tendo paralisado sua produção e não divulgar mais os seus balanços, as ações ON da Gradiente ainda são negociadas na Bovespa. Ontem, os papéis fecharam a R$ 2,30, em alta no dia de 1,32%. Neste ano, porém, as ações já caíram 15,7%. Considerando o preço das ações, a Gradiente valeria R$ 28,8 milhões.

Valor

Link: Justiça confisca estoques de TVs da Gradiente

ALL anuncia prévia de resultados do 4T08 e 2008

Publicado por Odair às 1/27/2009 03:23:00 PM

Odair Gomes
Investidor Informado

O volume consolidado da ALL cresceu 16,3% no 4T08, passando de 8.688 milhões de TKU no 4T07 para 10.100 milhões de TKU, especialmente devido ao (i) mercado favorável no 4T, em razão do escoamento de parte dos estoques acumulados pelos agricultores durante o 3T08, (ii) ganho de market-share em commodities agrícolas, e (iii) forte aumento no volume da Argentina, mantendo o bom desempenho do trimestre anterior.

Com o forte crescimento no quarto trimestre, o volume consolidado anual aumentou 10,8%, para 38.204 milhões TKU, ficando um pouco abaixo do guidance de 12% - 14%. O desvio em relação ao guidance (equivalente a 4 dias médios de carregamento) é conseqüência do 3T08 mais fraco, quando os agricultores decidiram aumentar seus estoques na expectativa de melhores preços e taxas de câmbio, não compensada integralmente com aumento nas exportações agrícolas do 4T08, especialmente nos últimos dez dias de dezembro, devido aos feriados. No Brasil, o volume anual aumentou 11,7% em linha com o guidance, enquanto na Argentina, o volume aumentou apenas 4,6% em conseqüência dos 90 dias de interrupções no primeiro semestre de 2008, quando os agricultores protestaram contra aumentos nos impostos de exportação.

O EBITDA consolidado cresceu 17,7% no 4T08, passando de R$188,8 milhões no 4T07 para R$222,3 milhões. O aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento no volume, receitas take-or-pay de volumes não atingidos; e o bom desempenho da ALL Argentina. Em 2008 mantivemos a tendência de forte crescimento de dois dígitos de EBITDA, que registrou aumento de 23,8% em relação a 2007, alcançando R$1.080 milhões.

Brasil impõe restrições as importações

Publicado por Odair às 1/27/2009 07:53:00 AM

Preocupado com o impacto da crise global na balança comercial, que já acumula déficit de mais de US$ 600 milhões neste início de ano, o governo brasileiro instituiu uma barreira informal às importações que dificultará a entrada de diversos produtos no país. O Departamento de Comércio Exterior começou ontem a exigir licenças prévias de importação para 17 setores, que representam mais de 60% das importações.

Os setores afetados pelas mudanças são a indústria de moagem (trigo), plásticos, borrachas, ferro e aço, obras de ferro fundido, cobre e alumínio, bens de capital, máquinas e aparelhos elétricos, têxteis, material de transporte (autopeças), automóveis e tratores, aparelhos ópticos e instrumentos cirúrgicos. Com o licenciamento prévio, o Decex vai analisar cada pedido antes de liberar a entrada do produto, o que pode demorar. Até agora, importadores obtinham a autorização automaticamente, pela internet. O Ministério do Desenvolvimento confirmou a exigência de licenças de importação desde ontem. Segundo o governo, o objetivo é ajustar as estatísticas, pois havia divergências com dados da Receita, mas o compromisso é não barrar importações e liberar com rapidez as licenças.

Representantes do setor privado ficaram espantados com a abrangência da medida e acreditam que ela reflete um "desespero" do governo com o comércio exterior. Está sendo rápida a deterioração da balança: em janeiro de 2008 houve um superávit médio diário de US$ 40 milhões. Agora, há déficit médio de US$ 41 milhões. Desde novembro de 2000 o país não registrava déficit mensal superior a US$ 600 milhões, como ocorre neste mês.

Outros países também adotaram medidas comerciais como reação à crise. Em seu primeiro relatório sobre protecionismo, a OMC informa que as nações desenvolvidas foram as responsáveis pelas ações com impacto comercial mais importante até agora, por meio de ajudas estatais bilionárias às suas indústrias. Por enquanto, foram poucos os casos de aumentos tarifários ou adoção de barreiras comerciais.

Valor

Link: Brasil impõe licença prévia para 60% das importações

Grupo Santelisa Vale negocia R$ 500 milhões no BNDES

Publicado por Odair às 1/27/2009 07:51:00 AM

O Grupo Santelisa Vale, segundo maior produtor de açúcar e álcool do País, com sede em Sertãozinho (SP), negocia um financiamento de cerca de R$ 500 milhões com o BNDES para capitalizar a companhia, cuja dívida supera R$ 1 bilhão. Segundo fontes, o enquadramento do pedido está previsto para ser avaliado na próxima semana pela instituição financeira.

Com esse financiamento, a Santelisa dará um grande passo para conseguir sua reestruturação financeira. Na última quinta-feira, o grupo também avançou na renegociação de uma dívida de cerca de R$ 480 milhões com mais de dez bancos - resultado de perdas em operações financeiras com derivativos cambiais. Segundo executivos envolvidos na negociação, várias instituições já concordaram em converter parte de suas dívidas em participações na usina.

Na semana que vem, começa a negociação com as instituições de menor porte, que não querem fazer a mesma coisa. As negociações, do lado da Santelisa, estão sendo conduzidas pela consultoria Angra Partners. Também na quinta-feira, a Santelisa havia anunciado a escolha do executivo Luiz Kaufman para presidir o conselho consultivo da empresa - com a função justamente de comandar esse processo de reestruturação.

O grupo procura ainda um novo presidente executivo para conduzir as operações da empresa e ocupara a vaga de Anselmo Lopes Rodrigues, que deixou o cargo no dia 4 de dezembro. Rodrigues foi transferido para a gestão da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), da qual a Santelisa Vale tem 27,7% de participação acionária, e saiu justamente por não ter o perfil de gestor financeiro que a Santelisa Vale necessitava, como justificou à época a companhia.

A Santelisa Vale processa cerca de 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, é dona das unidades Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest, todas na região de Ribeirão Preto (SP) e detém ainda 65% da Continental, em Colômbia (SP) e 50% da Tropical Bioenergia, construída em Edeia (GO), por meio de parceria com o Grupo Maeda.

A companhia possui ainda 72% da Crystalsev, trading que, além de negociar açúcar e álcool, é sócia da petroquímica Dow na construção do polo para produção de plástico de etanol, em Minas Gerais, com investimento de US$ 1 bilhão.

Na CNAA, o grupo é sócio do fundo de investimentos Carlyle/Riverstone, do DAC Capital, da Global Foods Holding e do Goldman Sachs. A CNAA tem investimentos previstos de R$ 2,5 bilhões na construção de quatro novas unidades sucroalcooleiras, nas cidades mineiras de Ituiutaba, Platina e Campina Verde, além de Itumbiara (GO).

Estado

Link: Grupo Santelisa Vale negocia R$ 500 milhões no BNDES

Estaleiro Atlântico Sul apresenta melhor proposta para navios da Transpetro

Publicado por Odair às 1/27/2009 07:49:00 AM

O estaleiro Atlântico Sul (PE) apresentou a menor proposta para a construção de sete navios incluídos na segunda fase do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), informou nesta segunda-feira a Transpetro.

A estatal, subsidiária da Petrobras para as áreas de transporte e logística, informou que vai negociar os preços ofertados, de acordo com a ordem de classificação. Desta forma, o Eisa (Estaleiro Ilha), do Rio de Janeiro, ainda pode ser escolhido para fazer os navios em questão.

O estaleiro apresentou a segunda melhor proposta para os sete navios. Essas embarcações compõem os lotes um (quatro navios Suezmax de posicionamento dinâmico) e dois (três navios Aframax de posicionamento dinâmico) da licitação.

O estaleiro Mauá, situado em Niterói (RJ), teve a proposta para a construção do três navios voltados para o transporte de produtos claros recusada. Os barcos formam o terceiro lote. O Mauá foi o único a fazer propostas para essas embarcações, e tem agora oito dias para refazer a proposta.

"A comissão avaliou que os preços estavam acima dos praticados no mercado", informou a Transpetro, em comunicado.

As proposta para o lote quatro, que compreende cinco navios de produtos ainda estão sendo analisadas pela comissão de licitação. estão nessa disputa os estaleiros Mauá e Rio Nave (RJ).

Folha

Link: Estaleiro Atlântico Sul apresenta melhor proposta para navios da Transpetro

Lucro da American Express recua quase 80% no quarto trimestre

Publicado por Odair às 1/27/2009 07:47:00 AM

A American Express divulgou seus resultados operacionais referentes ao quarto trimestre na noite desta segunda-feira (26). Os dados vieram abaixo das projeções dos analistas e destacaram um recuo de 79% no lucro.

O resultado líquido do período totalizou US$ 172 milhões, ou 15 centavos de dólar por ação. Um ano antes, o balanço havia marcado lucro de US$ 831 milhões, ou 72 centavos por ação.

A companhia creditou os fracos resultados à combinação de menores gastos dos consumidores e maior inadimplência verificada desde o estourar da crise internacional. As compras com cartões de crédito mostraram declínio de 10% no período.

Não bastassem os dados, a American Express ainda mostrou cautela com o cenário para 2009. Segundo seu chairman, Kenneth Chenault, os dados trimestrais refletiram "o momento mais difícil que a empresa enfrentou em décadas".

Paralelamente, Chenault alertou o mercado para o desenrolar de 2009. O executivo afirmou que não espera ainda uma melhora significativa no volume de gastos dos consumidores.

Apesar dos resultados terem vindo um pouco abaixo das estimativas dos analistas, as ações da American Express operam com alta de mais de 3% no after hours da bolsa de Nova York. Na espera pela divulgação, os papéis caíram 5% no pregão regular.

Infomoney

Link: Lucro da American Express recua quase 80% no quarto trimestre

Governo terá até 25% do capital da Avibras

Publicado por Odair às 1/27/2009 07:45:00 AM

Com a recuperação judicial recém-aprovada, a Avibras, maior empresa de equipamentos de defesa do país, começou a renascer. O dinheiro obtido com o envio do primeiro lote de um novo contrato de exportação permitiu à empresa saldar seu passivo trabalhista, parte das dívidas com fornecedores e ainda abrir uma quantidade de postos de trabalho maior do que fechou em 2008.

Agora começa o processo por meio do qual os créditos de órgãos governamentais serão convertidos em participação acionária. A expectativa é que até o fim deste ano o governo passe a ter entre 15% e 25% da companhia. Até lá, o caixa também será reforçado com pelo menos mais quatro contratos de exportação, prestes a serem firmados com as Forças Armadas de países da Ásia, Oriente Médio e América do Sul.

Quando pediu a recuperação judicial em julho passado, a Avibras, uma empresa fundada no início dos anos 60, já não tinha forças para manter a operação nas quatro fábricas na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Total de 340 pessoas foram demitidas sem dinheiro. A soma das dívidas com trabalhadores, fornecedores e governo chegou a R$ 641 milhões.

Mas um contrato de valor próximo ao total da dívida com um cliente da Ásia que a empresa prefere não citar o nome chegou em boa hora. Foi com esse reforço que a empresa começou a preparar seu plano de recuperação. O primeiro passo foi saldar a dívida trabalhista, de R$ 9 milhões, em quatro parcelas. Boa parte dos empregados que finalmente receberam seus direitos foi novamente chamada para trabalhar no início de novembro e ajudar nas entregas do primeiro lote de exportação de sistemas de lançadores de mísseis. Total de 400 vagas foram abertas há dois meses, o que levou a empresa a ultrapassar a marca dos mil empregos. Agora a empresa se prepara para abrir pelo menos mais 100 postos ainda este mês.

O segundo passo foi honrar a dívida com os pequenos fornecedores. O volume de dinheiro envolvido nessa etapa é muito menor do que a empresa deve aos grandes fornecedores. No entanto, ajuda a Avibras a estar em dia com um grande contingente de empresas, como explica Sami Hassuani, presidente da empresa. Dos R$ 7 milhões de dívidas com fornecedores, R$ 700 mil eram devidos a 460 empresas. Essa parte foi quitada.

Os R$ 6,3 milhões restantes precisam ainda ser pagos a um total próximo de 70 grandes empresas. Para essa missão, Hassuani explica que a direção da empresa fez uma verdadeira peregrinação batendo de porta em porta para negociar. O saldo foi favorável: todos aceitaram receber em oito parcelas.

O maior credor é o governo. Além de tributos, a Avibras deve dinheiro para o INSS, Banco do Brasil e Finep (financiadora de projetos), entre outros. A proposta de trocar dívidas por ações da empresa surgiu, segundo Hassuani, depois de uma ampla discussão entre quatro Ministérios (Defesa, Desenvolvimento, Fazenda e Relações Exteriores).

Com a aceitação da idéia de ser sócio de uma empresa que pode ser estratégica para a defesa brasileira, governo e Avibrás deram início a um amplo processo por meio do qual as contas da empresa serão minuciosamente auditadas. Com a ajuda de uma auditoria e de uma consultoria serão processados diversos relatórios. Somente no final desse processo é que será definido o tamanho da fatia de participação do governo federal na companhia. A nova estrutura precisa ser aprovada em assembléia de acionistas.

O governo será minoritário, mas sua participação é relevante. Já está acertado que a União terá uma "golden share", que lhe permitirá impedir contratos com os quais não concorde. A exemplo do que existe hoje na Embraer, que, além de vizinha da Avibrás, surgiu em moldes muito semelhantes: da vontade de ex-integrantes do ITA de fazer do Brasil um produtor de equipamentos de defesa.

"O governo percebeu que é importante estar dentro de uma empresa de defesa", destaca Hasuani, satisfeito com a notícia que recebeu do Ministério da Defesa, no dia 12, de que o pedido de recuperação judicial fora aceito.

O executivo afirma que a situação financeira da companhia começou a ficar ruim pelo próprio contingenciamento de orçamento da União. "O problema é que todas as nossas dívidas estava vinculadas a programas militares que repentinamente sofriam contingenciamento", afirma. "Pegávamos o dinheiro e investíamos em programas que não raras vezes avançavam não mais do que 15%."

Hassuani é um executivo da Avibras que assumiu o comando da companhia depois que João Verdi de Carvalho Leite, o fundador da empresa, e a sua esposa desapareceram quando o helicóptero que ele pilotava caiu em alguma parte entre Angra dos Reis (RJ), de onde voltavam, e São José dos Campos (SP), onde moravam. Isso aconteceu há um ano. Até hoje eles não foram encontrados. O único herdeiro, João Brasil Carvalho Leite, foi nomeado curador dos bens do pai. É, portanto, hoje dono de 70% das ações da companhia.

Carvalho Leite viveu a época de glória e também de fracasso da Avibras. Nos anos 80 a atividade era garantida pelas encomendas das Forças Armadas. Segundo Hassuani, entre 1987 e 1988, o faturamento anual chegou aos US$ 500 milhões. No ano passado, a receita ficou em R$ 103 milhões e, em 2007, R$ 55 milhões.

Para Hassuani, o que persegue a empresa há pelo menos 15 anos é a falta de crédito. "Temos as fábricas, o conhecimento e as máquinas para produzir sem investir", afirma. Segundo ele, a Avibras consegue faturar pelo menos meio bilhão de reais por ano apenas colocando gente. "Com o que já temos poderíamos ir a 3 mil ou até 4 mil funcionários", diz.

O que entusiasma o executivo agora são as perspectivas dos contratos futuros. Hassuani explica que a empresa está negociando 13 novos contratos de exportação. Desses, quatro estão bem adiantados e podem ser assinados ainda neste ano. Além das perspectivas de receita nova vindo do exterior, Para ele, uma vez saneada, a Avibras passará a ter crédito e, assim, colocar a casa em ordem.

Valor

Link: Governo terá até 25% do capital da Avibras

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