Publicado por Gandalf às 3/07/2009 07:59:00 AM
O custo de extração de petróleo (lifting cost) da Petrobras caiu 40% no quarto trimestre de 2008, em relação ao terceiro trimestre do ano passado, passando de US$ 30,27 por barril para US$ 18,11 por barril (considerando as participações governamentais), segundo balanço financeiro divulgado hoje pela companhia. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o custo médio de extração ficou em US$ 26,08 o barril, apresentando um avanço de 35% ante 2007, também contabilizado no custo as participações governamentais. A empresa informa, por meio do relatório de administração, que a queda nos preços médios de referência do petróleo nacional, reflexo da retração dos preços internacionais, ocasionou a queda do indicador no trimestre. Desconsiderando a participação do governo, a queda no custo de extração foi de 19% no trimestre, para US$ 8,24 por barril. Descontando os efeitos da depreciação do real, o custo unitário caiu 3% no período.
No quarto trimestre, também houve queda no custo de refino no Brasil, que passou de US$ 3,46 por barril, no terceiro trimestre de 2008, para US$ 2,33 no intervalo seguinte no Brasil (-33%). Já no acumulado do ano, o indicador avançou 14%, para US$ 3,24 por barril. Já o lucro da área de Exploração e Produção da Petrobras caiu 38% no quarto trimestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, totalizando R$ 4,984 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre deste ano, quando essa área de negócio teve lucro de R$ 10,69 bilhões, a queda é ainda mais expressiva, de 53,4%. A mudança de patamar dos preços do petróleo foi a justificativa apresentada pela empresa para a expressiva redução no resultado.
A estatal também citou maiores custos exploratórios, devido à baixa de poços secos ou sem viabilidade econômica, e a perda estimada na recuperação de ativos como fatores que influenciaram o desempenho da área. No entanto, parte desses efeitos, segundo a empresa, foi compensada pelo aumento de 5% no volume vendido ou transferido de óleo e gás no intervalo. Além disso, o trimestre assistiu a uma redução do spread entre o preço médio de venda do petróleo nacional e a cotação média do petróleo tipo Brent, de US$ 14,20 por barril, no terceiro trimestre de 2008, para US$ 6,96 por barril nos três últimos meses de 2008. A área de Abastecimento da estatal também teve desempenho bem inferior no quarto trimestre de 2008 ao apurado em igual intervalo de 2007. Entre outubro e dezembro do ano passado, o segmento apresentou um prejuízo de R$ 1,445 bilhão, ante lucro de R$ 299 milhões em igual intervalo do ano anterior. Porém, na comparação com o terceiro trimestre, quando a empresa amargou perda de R$ 1,969 bilhão, a Petrobras conseguiu melhorar o resultado, devido principalmente aos menores custos em função da redução na cotação do petróleo e pela manutenção dos preços médios de venda.
Na área de Gás e Energia, também houve redução no prejuízo da empresa, na comparação com o quarto trimestre de 2007. Nos três últimos meses do ano passado, as perdas da Petrobras com esse negócio somaram R$ 25 milhões. Em Distribuição, houve um aumento de 187% no lucro do quarto trimestre, para R$ 301 milhões. Já a área Internacional amargou um forte aumento de 122% no prejuízo, que passou de R$ 940 milhões no quarto trimestre de 2007 para R$ 2,08 bilhões no mesmo período de 2008.
A produção total de óleo e gás da Petrobras atingiu 2,428 milhões de barris por dia no quarto trimestre de 2008, representando um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado e se mantendo estável na comparação com o trimestre anterior. A Petrobras explica que a entrada em operação das novas plataformas de produção superou o declínio natural dos campos. Com isso, o Índice de Reposição de Reservas ficou em 109% pelo critério SPE e 38% pela metodologia SEC (que medem a relação reserva/produção de 18,2 anos e de 13,5 anos, respectivamente). As reservas provadas não incluem as descobertas de petróleo e gás no pré-sal. No exterior, foram produzidos 233 mil barris por dia, 3% acima dos 226 mil produzidos no quarto trimestre de 2007. A produção no Brasil também cresceu, passando de 2,059 mil barris por dia no último trimestre de 2007 para 2,195 mil no mesmo período do ano passado, representando uma alta de 6,6%. Isoladamente, a produção de gás nacional teve alta de 19,13%, para 330 mil barris/dia, enquanto a produção de petróleo subiu 4,65%, para 1,865 milhões de barris por dia.
Sobre a redução do lucro líquido da empresa em 2008, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, explicou que o ajuste ao novo padrão contábil do balanço da companhia reduziu o resultado do item em pouco mais de R$ 900 milhões, que ficou em R$ 32,988 bilhões. Sem o ajuste, o lucro reportado foi de R$ 33,915 bilhões. O ajuste afetou a contabilidade de quatro itens. O primeiro se refere a conversão de ativos e passivos em dólares. Pela regra anterior, a empresa fazia essa conversão com base no acumulado do período, agora, é feita mensalmente com base na taxa de câmbio média do período. Essa mudança reduziu o resultado em R$ 636 milhões. O segundo item que reduziu em R$ 740 milhões foi a alteração na forma de contabilização dos arrendamentos mercantis, que deixaram de entrar como despesas e passaram a figurar no endividamento. O terceiro ponto que baixou em R$ 100 milhões o lucro foi a determinação de marcar a mercado todas as variações sobre instrumentos financeiros. Já o quarto item alterado pelo novo padrão contábil beneficiou o resultado da Petrobras em R$ 557 milhões, que se refere a forma de lançar as subvenções no balanço da companhia. Antes, as subvenções entravam no patrimônio líquido, agora passam a engordar o lucro.
Estado
Link: Petrobras: custo de extração cai 40% no 4º trimestre