Publicado por Gandalf às 6/16/2009 11:29:00 AM
A crise financeira internacional, que derrubou a economia brasileira nos últimos seis meses, fazendo o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e ser viços produzidos pelo país) cair 4,4% desde o último trimestre do ano passado, vai ter efeito direto na renda per capita. O PIB dividido pela população deve cair de 1,3% a 1,4% este ano, numa retração igual à ocorrida em 1998, se as previsões de grande parte dos economistas se confirmarem e o país não apresentar crescimento em 2009.
Será a primeira redução na renda per capita desde de 2003, quando o Brasil vivenciou sua última recessão, que durou seis meses. Naquele ano, o PIB por habitante caiu 0,2% e a economia cresceu apenas 1,1%. Essa queda estimada de 1,4% no PIB per capita para este ano representa o crescimento médio da população brasileira anualmente.
Segundo o economista Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os efeitos dessa redução da renda por habitante serão bastante desiguais, diante dos setores que estão sendo mais atingidos pela crise, como o exportador e a indústria, e pelo sistema de proteção social instalado no país: — Nem tudo vai bater no bolso das pessoas. Mesmo incipiente e incompleto, o sistema de proteção social existe, com o salário mínimo e tudo o que está indexado a ele, como o seguro-desemprego e o BolsaFamília. Os mais pobres estão relativamente protegidos.
Segundo Soares, o grande risco para os mais pobres é se a crise econômica atingir demais a agricultura, que é o canal de contágio nessa camada da população. Como a recessão está afetando mais fortemente a indústria, que diminuiu a produção em 14% de janeiro a maio, esse risco ainda está afastado: — Está atingindo mais o setor exportador, formal. Não são os camelôs da periferia.
O economista Waldir Quadros, da Unicamp, tem outros temores. Sem querer fazer qualquer previsão, ele acredita que a situação do mercado de trabalho brasileiro pode piorar na faixa de renda mais baixa da população. Estudo feito por ele com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, do IBGE, mostrou que, apesar de mais pessoas terem conseguido uma oportunidade naquele ano, o desemprego aumentou entre a classe média baixa e os trabalhadores.
— Com a crise, temo que esse quadro se agrave — ressalta Quadros.
Nos últimos anos, o Brasil tem conseguido reduzir os índices de pobreza e a desigualdade.
Apesar de reconhecer que o ritmo deve diminuir por conta da crise econômica, Soares não vê um cenário de piora nesses indicadores.
— Tudo vai depender se o mercado de trabalho vai parar de ser distributivo. Acredito que seja um movimento mais estrutural. Esses indicadores de desigualdade andam em outra velocidade, mais suave.
Não devem retroceder — avalia o economista.
OGlobo
Link: Renda ´per capita` do Brasil deve cair até 1,4%

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