Rio Tinto capta US$ 15 bilhões e ações recuam 6%

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 08:30:00 PM

Como o esperado, a Rio Tinto conseguiu captar US$ 15,2 bilhões por meio da venda de 97% das ações ofertadas na bolsa de Londres, ou seja, mais de 508 milhões de papéis.

Além da oferta no mercado inglês, a terceira maior mineradora do mundo realizou semelhante processo no mercado australiano, mas os resultados oficiais serão divulgados na próxima sessão, salientou a companhia.

A expectativa é de que a mineradora utilize o montante adquirido no processo para retalhar parte da dívida retida, que passa dos US$ 38 bilhões.

Os papéis da Rio Tinto negociados na bolsa de Londres recuam forte neste começo de tarde, com desvalorização próxima de 6%.

Infomoney

Link: Rio Tinto capta mais de US$ 15 bilhões com oferta de ações; papéis recuam 6%

Tectoy busca sócio para dobrar atual capitalização

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 08:06:00 PM

A fabricante de brinquedos eletrônicos Tectoy está em busca de um ou mais sócios que capitalizem a companhia em R$ 50 milhões para dar vida ao negócio, que nunca mais foi o mesmo desde a concorda, há praticamente uma década. O objetivo é conseguir os recursos ainda neste ano.

Não há um formato definido para a operação, que será um teste para a estratégia de negócio definida pela administração. O volume pretendido supera a receita líquida anual. A empresa ainda está prospectando interessados, trabalho que está aos cuidados da assessoria financeira Stratus.

Uma capitalização desse porte tem, inclusive, capacidade para alterar o controle da companhia. Hoje, a Tectoy vale em bolsa perto de R$ 68 milhões e um aumento de capital dessa proporção diluiria os atuais acionistas.
"Minha preocupação maior é com o sucesso do negócio e não com a manutenção do controle", disse Stefano Arnhold, presidente do conselho de administração e representante da família controladora da empresa.

Nas sociedades que hoje detêm o controle da Tectoy - Eagle Brazil e Steluc - há ainda participações minoritárias da família fundadora da Tectoy, Dazcal. Também são sócios pequenos nessas empresas Leo e Abe Kryss, com fatias da época da parceria com a Evadin, indústria brasileira pioneira na área de eletroeletrônicos e informática.

O novo dinheiro almejado pela Tectoy tem destino certo: o projeto Zeebo, um console de jogos eletrônicos criado em parceria com a americana Qualcomm. O produto é a espinha dorsal dos esforços de revitalização da companhia.

Parte dos recursos, segundo Fernando Fischer, presidente da empresa, vai para a joint venture com a Qualcomm, cuja sede fica em San Diego (EUA). Até o fim deste ano, a companhia americana de tecnologia celular fará o terceiro aporte na unidade estrangeira e a companhia brasileira, que hoje tem 57% da sociedade, não quer ser diluída na operação. Para isso, necessita de US$ 7 milhões.

O restante do capital levantado seria destinado para dar fôlego comercial ao Zeebo, com a compra de componentes para montar os consoles na fábrica da Zona Franca de Manaus, investimento em marketing e capital de giro.
Os planos para o Zeebo são ambiciosos. Na visão de Arnhold, que assumiu a Tectoy após o falecimento do fundador Daniel Dazcal, em 1994, o produto foi desenvolvido para atender países em desenvolvimento, em que a renda da população é menor.

Trata-se de um console que não depende de jogos físicos. Com tecnologia celular embutida, o abastecimento é por downloads, o que torna o produto mais barato. Há um piloto na cidade do Rio de Janeiro e o lançamento oficial ocorrerá até o Dia das Crianças.

Os trabalhos para dar vida nova à Tectoy, porém, não são novos. O plano foi lançado em 2007, mas até agora não trouxe resultados práticos. Havia aposta na área de TV digital, mas que não se concretizou. Arnhold defende que o desenvolvimento de jogos é um processo longo e que espera começar a colher frutos até o fim do ano.

Fischer acredita que se o projeto Zeebo for conduzido conforme idealizado colocará a Tectoy na rota de uma receita anual de R$ 200 milhões - cinco vezes mais que as vendas líquidas de 2008.

Desde a concordata, em 1997, a companhia não mais voltou ao patamar atingido no início daquela década, com brinquedos eletrônicos como Pense Bem, Master System e Mega Drive. A empresa perdeu espaço com a abertura do mercado para importados e o avanço da pirataria.

Em 1994, um ano após a abertura de capital, chegou a ter receita bruta de US$ 110 milhões. No ano da concordata, o faturamento já estava na casa de R$ 72 milhões. De lá para cá, encolheu continuamente. No primeiro trimestre deste ano, a receita líquida ficou em R$ 5,8 milhões. Cerca de 60% das vendas vêm de um nicho específico de DVD para entretenimento, como o aparelho com karaokê.

Há praticamente uma década, o faturamento líquido está na faixa de R$ 25 milhões a R$ 45 milhões. O patrimônio líquido, então, está negativo desde 1998.

Mas, no preparo para essa captação, os controladores concluíram recentemente uma operação que deve permitir que o patrimônio volte a ser positivo.

A Eagle Brazil, dos controladores, comprou no mercado cerca de 90% das debêntures emitidas pela Tectoy em 2000 e que ainda estavam em circulação. Os papéis traziam um peso de R$ 28 milhões ao passivo da empresa. Com a eliminação da maior parte desse compromisso, o patrimônio líquido, que estava negativo em R$ 18,2 milhões em março, poderá alcançar o equilíbrio - ainda que apertado.

O valor contábil da transação foi de R$ 26 milhões, mas o desembolso - não revelado - foi substancialmente menor. Os papéis não pagavam juros, pois davam direito a participação no lucro da empresa. Mas a empresa não é lucrativa desde a fase da concordata.

Ao adquirir os títulos, a Eagle passou a ter um crédito com a Tectoy. Para eliminá-lo, converteu-o numa participação maior na empresa. Assim, os controladores ampliaram a participação direta e indiretamente de 43% para 70% das ações ordinárias (com voto) e de 22% para 44% das preferenciais (sem voto). No capital total, a fatia subiu de 32,5% para 52,5%.

Segundo ele, a medida era importante. As debêntures tinham prioridade no recebimento de participação nos lucros inclusive sobre os dividendos, o que retirava atratividade das ações para a capitalização. Além disso, o patrimônio líquido negativo atrapalha a vida da companhia. "Perdemos a possibilidade de subvenção de projetos por causa disso", afirmou.

Valor

Link: Tectoy busca sócio para injetar R$ 50 milhões no negócio

Indústria retrata efeitos da crise, apesar de apontar melhora

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 07:52:00 PM

A pesquisa mensal sobre a produção industrial, divulgada hoje pelo IBGE, mostra que os efeitos causados pela crise econômica internacional na indústria brasileira ainda são visíveis nas comparações mais longas, apesar de uma clara recuperação gradual na margem. No acumulado nos 12 meses encerrados em maio, a produção industrial registrou queda de 5,1% frente aos 12 meses imediatamente anteriores, o maior recuo para este tipo de comparação desde o início da série histórica, em 1991.

A queda nessa comparação foi puxada pelos Bens de Consumo Duráveis, que recuaram 10,1%, seguidos pelos Bens Intermediários, com baixa de 7,4%, e pelos Bens de Capital, que caíram 2,4% - no primeiro resultado negativo para esta categoria em 12 meses desde o recuo de 0,3% de outubro de 2003. Já os Bens de Consumo Semi e Não Duráveis tiveram retração de 0,5%.

O resultado de maio, levou a produção industrial a patamares similares aos apresentados em junho de 2006, enquanto em abril o nível era semelhante ao de abril de 2005. Apesar dessa recuperação na margem, a produção industrial acumula queda de 13,8% na comparação com setembro, mês em que atingiu o pico desde o início da série histórica. Em relação àquele mês, todas as categorias de uso acumulam baixa. Os Bens de Capital puxam a fila, com uma queda de 29,3% desde setembro, seguidos por Bens de Consumo Duráveis, com baixa de 16%; Bens Intermediários, com recuo de 13%; e Bens de Consumo Semi e Não Duráveis, com queda de 2,7%.

Entre os 27 setores pesquisados pelo IBGE, apenas cinco mantêm taxas positivas no acumulado desde setembro. O grupo perfumaria, sabões e produtos de limpeza registra alta de 6,3% no período, enquanto bebidas subiram 5,8%; farmacêutica cresceu 5%; alimentos avançaram 2,9; e outros equipamentos de transporte cresceram 1,8%, este último puxado pelo bom desempenho da produção de aviões nos primeiros meses da crise.

As maiores quedas desde setembro foram de máquinas e equipamentos, com baixa de 37%; material eletrônico e equipamentos de comunicações, com recuo de 36,1%; veículos automotores, com queda de 24,9%; e metalurgia básica, que caiu 24,1% desde setembro.

"Os setores que apresentam alta no acumulado desde setembro são aqueles menos dependentes da renda e do crédito, enquanto os setores que fizeram os ajustes mais fortes mantêm taxas acumuladas negativas" , ressaltou Isabella Nunes, gerente de análise e estatísticas derivadas do IBGE.

Valor

Link: Produção industrial mostra efeitos da crise em séries mais longas

Construção deve ser setor de recuperação mais rápida

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 06:40:00 PM

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que a construção civil deverá ser o primeiro a se recuperar dos efeitos da crise econômica entre os setores que compõem a formação bruta de capital fixo (FBCF) no Brasil.

"As razões para isso estão no estímulo a ser gerado por uma série de medidas do governo, como a introdução de novas linhas de financiamento imobiliário; a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os produtos ligados ao setor; o programa para a construção de casas para a população de baixa renda; e os investimentos no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", diz a Carta de Conjuntura, divulgada hoje pelo Instituto.

Para o Ipea, a queda da FBCF no primeiro trimestre foi o principal destaque negativo do lado da demanda no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. O Instituto lembrou que, tanto na comparação com igual período de 2008, quando a queda foi de 14%, quanto na série dessazonalizada, em que o recuo foi de 12,6%, a formação bruta de capital fixo apresentou o pior resultado da série iniciada em 1996.

"O tombo dos investimentos refletiu o fraco desempenho tanto do consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came), quanto da construção civil. Enquanto o Came caiu 18,1% no primeiro trimestre, infuenciado pela queda da produção e da importação de bens de capital, o setor da construção civil também sofreu forte recuo, registrando variação de -10,3%", diz a Carta de Conjuntura.

Valor

Link: Construção deve ser setor de recuperação mais rápida, diz Ipea

Petrobras levanta US$ 1,25 bilhões com bônus

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 09:50:00 AM

A Petrobras lançou nesta quarta-feira 1,25 bilhão de dólares na reabertura de seu bônus global com vencimento em 2019 pagando rendimentos bem menores do que o que precisou pagar há apenas cinco meses, quando lançou a primeira leva desse tipo de bônus.

O papel vai pagar a investidores 6,875 por cento, rendimento que ficou no piso das estimativas para a operação fornecidas pelos coordenadores líderes -- JPMorgan, Citigroup, HSBC e Santander.

O bônus, que carrega cupom de 7,875 por cento, foi precificado em 106,96, disse uma fonte.

A companhia havia vendido 1,5 bilhão de dólares do mesmo bônus, no dia 4 de fevereiro, oferecendo rendimento de 8,125 por cento.

A demanda pelo papel superou os 6 bilhões de dólares, segundo informações da IFR, um serviço da Thomson Reuters, o que permitiu que a Petrobras mais que dobrasse a oferta inicial de 500 milhões de dólares.

A queda nos custos de captação e a forte demanda indicam melhoria acentuada no mercado internacional de dívida.

A reabertura do bônus global tem o objetivo de pagar um empréstimo-ponte de 6,5 bilhões de dólares que vence no final do ano que vem, disse o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, em entrevista à Reuters.

"É uma das poucas companhias de petróleo do mundo que possui os meios para aumentar suas reservas substancialmente nos próximos 10 anos", disse Dario Pedrajo, gestor de ativos de aproximadamente 100 milhões de dólares na Kapax Investment Advisors, baseada em Miami.

Para financiar o seu volumoso plano de investimentos de 174 bilhões de dólares de 2009 a 2013, a Petrobras já assegurou crédito de 12,5 bilhões de dólares com o BNDES, 2 bilhões de dólares com o EximBank dos EUA e 10 bilhões de dólares com o Banco de Desenvolvimento da China, além dos 6,5 bilhões de dólares do empréstimo-ponte com um pool de seis bancos.

Com isso, a empresa diz que, considerando os preços atuais do petróleo, o plano já está financiado, faltando apenas substituir o empréstimo-ponte emitindo dívida.

Com o lançamento desta quarta-feira, ainda restam 3,75 bilhões de dólares para serem rolados até o final do ano que vem.

A reabertura é um sinal de que os mercados de dívida estão se reabrindo para o Brasil. A Eletrobras deverá vender papéis denominados em dólares nas próximas semanas.

O governo brasileiro levantou 1,75 bilhão de dólares em duas vendas de bônus neste ano. E o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) colocou 1,5 bilhão de dólares em bônus no mercado no mês passado.

Reuters

Link: Petrobras lança bônus de 10 anos com custo menor

Venda de carros alcança melhor resultado mensal da história

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 09:46:00 AM

De estoques que passavam de 300 mil veículos, equivalentes a quase dois meses de vendas, fábricas paradas por mais de um mês e dispensas de funcionários, o cenário da indústria automobilística brasileira no fim de 2008 deu uma guinada e, agora, o setor fala em superar o recorde de vendas de 2,82 milhões de veículos registrado no ano passado. A virada pode ser confirmada pelos resultados de junho, provavelmente o melhor mês da história do setor.

Sem incluir os números de ontem, o setor contabilizava 276 mil veículos licenciados, vendas que hoje devem fechar na casa das 290 mil unidades, de acordo com previsão das montadoras, ultrapassando assim a melhor marca mensal registrada nos mais de 50 anos da indústria automobilística nacional, de 288,1 mil unidades em julho do ano passado. Até agora, as vendas do semestre somam 1,425 milhões de unidades. No mesmo período do ano passado foram comercializadas 1,407 milhões de carros.

"Se continuarmos nesse ritmo, será o melhor ano da história do setor", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. Ele lembra que, em novembro, quando a crise chegou ao Brasil após a quebra do Lehman Brothers, as vendas de carros despencaram de uma média de 240 mil unidades ao mês para 177,8 mil.

No mês seguinte, com mais de 300 mil carros encalhados nos pátios, as fábricas deram férias coletivas. "A média de vendas semanais ficou abaixo da metade do que registramos nas últimas semanas de setembro", diz Schneider.

Em meados de dezembro, o governo reduziu o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e o consumidor, aos poucos, começou a voltar às lojas.

O efeito visto nas vendas de automóveis e comerciais leves não se repetiu nos caminhões e ônibus, em queda. As exportações também despencaram por causa da crise nos mercados importadores, por isso, a produção de veículos não acompanhará o desempenho recorde de vendas esperado para este ano.

O nível de emprego também não segue o ritmo das vendas. Desde dezembro, foram fechados 6,4 mil postos de trabalho nas montadoras de veículos e máquinas agrícolas. Algumas empresas esboçam uma retomada nas contratações. A Volkswagen anunciou na semana passada 200 contratações na fábrica de São Bernardo do Campo e 50 na de Taubaté.

"Estamos avaliando novas contratações", informa Cledorvino Belini, presidente da Fiat. Segundo ele, ao longo do ano, a fábrica de Betim contratou mais de mil pessoas. Ele acredita em uma "queda natural das vendas em julho, com nova retomada a partir de agosto e setembro". Levando-se em conta que o último trimestre do ano passado foi fraco, a indústria já tem um desempenho melhor do que o de 2008.

Segundo André Beer, da André Beer Consult & Associados, era de se esperar que junho tivesse um desempenho tão bom. O governo deixou para a última hora a notícia de que a redução do IPI continuaria. "Foi uma antecipação de compra. Mas isso não quer dizer que o nível de vendas vá se manter assim até o fim do ano", explica Beer.

Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, diz que o otimismo está longe das linhas de produção de caminhões e ônibus. "A realidade entre carros e caminhões é bem diferente. Já se percebe a indústria reconhecendo que errou na dose quando se viu diante da crise. Demitiram além da conta", avalia.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre também tem medo quanto ao futuro dos trabalhadores das linhas de produção de caminhões e ônibus. "Para os carros já vemos uma retomada lenta das contratações. Mas nas fábricas de caminhões é bem diferente. As montadoras estão com programas de demissão voluntária porque dependiam muito do mercado externo. Vamos ver se agora, com as medidas anunciadas pelo governo, há uma retomada", afirma. Nobre prevê uma recuperação das vendas dentro de 30 a 60 dias.

Estado

Link: Venda de carros alcança melhor resultado mensal da história

Oferta extra de açúcar reverte lucro no setor sucroalcooleiro

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 09:43:00 AM

A maior oferta interna de açúcar já começa a inibir o efeito neutralizador da commodity sobre o mercado sucroalcooleiro. A intensificação da moagem da cana-de-açúcar e do seu direcionamento para a produção açucareira - que já é 43,2% maior no acumulado da safra em relação ao ciclo anterior - amplia cada vez mais a oferta no mercado doméstico, pressionando os preços, que recuaram 6,63% no mês de junho, para R$ 41,15 a saca, segundo o Indicador Cepea/Esalq. No dia 19 de março, quando o açúcar atingiu o seu maior patamar de preço este ano, a saca do produto chegou a ser negociada a R$ 49,60. O mês de julho começou com queda de 0,1%, para R$ 41,11 a saca. Apesar de a demanda continuar firme, nas últimas semanas os compradores adquiriram apenas pequenos volumes, sinalizando que o mercado aguarda novos movimentos de baixa.

Mesmo com a retração das últimas cotações, o produto continua remunerando e salvando o caixa de muitas usinas. "Se não fosse o açúcar esse seria um ano traumático", disse Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado. Ele destaca que essa semana o preço do etanol alcançou um patamar que paga o custo de produção, após quatro meses de prejuízo.

As grandes empresas do setor, que são basicamente exportadoras, não deverão sentir os sinais de retração na demanda doméstica. O mercado mundial da commodity segue em alta e chega no seu maior patamar dos últimos anos. Os contratos futuros do açúcar atingiram a maior alta desde 2006, ainda influenciados pela Índia.

"O açúcar bruto negociado em Nova York está em patamares historicamente elevados, maiores que aqueles anteriores a crise. O contrato de outubro, que está com 440 mil contratos em aberto, chegou a 18,09 centavos por libra-peso, que é um patamar excelente", diz Biegai.

Na semana passada, o mercado de açúcar fechou com altas entre US$ 16 e US$ 28, a máxima dos contratos em todos os meses em aberto. "Não me lembro de ter visto um mercado com alta vertiginosa e robusta como essa, na esteira de um quadro fundamentalista que tem como pano de fundo uma redução na disponibilidade de açúcar, com estoque abaixo de 32%, e da Índia, que tem dois meses e meio de estoque e cujo spread de curto prazo apresenta desconto de 105 pontos. Não é assim que o mercado funciona", diz Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos para o mercado agrícola de commodities.

Multinacionais como a Cargill devem continuar investindo. "Não paralisamos os investimentos, mas alguns dos novos estão passando por um crivo bastante rigoroso disse Marcelo Martins, diretor presidente da empresa. O executivo afirmou que o mercado de açúcar e álcool viveu momentos de preços bastante baixos, mas ressaltou a previsão de reversão no cenário. Já a São Martinho está investindo este ano R$ 259 milhões na ampliação da capacidade de moagem da Usina Boa Vista, que na safra 2009/2010 moerá aproximadamente 2,2 milhões de toneladas. Para a safra 2009/2010, a previsão do Grupo São Martinho é produzir 680 mil toneladas de açúcar, ante 555 mil na safra passada.

O mercado internacional deve continuar aquecido. De acordo com a corretora C. Czarnikow Sugar Futures, EUA e México necessitam de um adicional de 600 mil toneladas de açúcar importado durante os próximos três meses, devido à "precariedade das safras" dos dois países. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) vai fixar uma cota tarifada para compras de açúcar branco, ou refinado, de execução imediata, enquanto o México deverá emitir novas licenças de importação para 300 mil toneladas do produto, disse a corretora Czarnikow em relatório. "A possibilidade de as refinarias norte-americanas terem de concorrer em preço com os compradores do mercado mundial já não parece remota", disse a Czarnikow no relatório.

O USDA estimou no mês passado que a safra de açúcar norte-americana 7% inferior à do ano passado, e elevou sua estimativa das importações de açúcar pelo México para a temporada 2009/2010 em 63%.

DCI

Link: Oferta extra de açúcar reverte lucro no setor sucroalcooleiro

Superávit primário é o menor desde 2001

Publicado por Gandalf às 7/02/2009 09:40:00 AM

A queda de receitas provocada pela desaceleração da economia, aliada à política de desonerações tributárias adotada justamente para combater os efeitos da crise, derrubaram o esforço fiscal do setor público brasileiro para o nível mais baixo desde 2001. O chamado superávit primário - a economia feita pelo setor público para pagar a sua dívida - caiu para 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB) no período de 12 meses até maio, nível inferior à meta de 2,50% estabelecida pelo governo para este ano.

A exclusão dos dados da Petrobrás do cálculo das contas públicas, a partir de maio, também ajudou a reduzir o superávit, mas, embora o impacto dessa decisão tenha sido importante, ela não foi o fator decisivo para a piora do resultado.

Em maio, o superávit primário das contas da União, Estados, Municípios foi de R$ 1,11 bilhão. Embora ainda positivo, o resultado do mês também foi o pior da série do BC e correspondeu a menos de um décimo do esforço observado em abril. Isso quer dizer que a economia do governo caiu R$ 10,8 bilhões entre um mês e outro. No ano, de janeiro a maio, o recuo do esforço fiscal foi de 55,3%, o equivalente a R$ 39,51 bilhões.

A deterioração das contas públicas, provocada pela política anticíclica adotada pelo governo desde o ano passado para enfrentar a crise, só não foi maior devido o processo de queda da taxa Selic. Com a redução da Selic, as despesas do setor público com o pagamento de juros da dívida atingiram 5,27% do PIB em 12 meses, até maio, o menor patamar da série. Com despesa de juros mais baixa, o governo vem conseguindo evitar que a redução do superávit primário se transforme em um aumento mais explosivo do déficit nominal.

O resultado nominal leva em conta a diferença de despesas e receitas e mais os gastos com juros da dívida. De janeiro para maio, o déficit nominal saltou de 2,50% para 3,08% do PIB. Mas deve fechar o ano, segundo previsão do BC, em 2,1% do PIB, porque até lá o impacto da queda da Selic será ainda maior. Antes da crise, o governo tinha a meta de chegar em 2010 a um déficit nominal zero.

A piora das contas públicas levou operadores de mercado a especular sobre a possibilidade de uma nova redução da meta de superávit primário em 2010 (antes da meta atual, de 2,5%, o governo trabalhava com o objetivo de 3,8% do PIB), o que teria provocado ligeira alta dos juros, ontem. Essa possibilidade, no entanto, foi descartada por fontes do Ministério da Fazenda.

Apesar do resultado fiscal mais fraco, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que as contas públicas não estão frágeis. Para ele, num cenário em que a atividade econômica sofre o impacto da crise, o resultado é positivo e está melhor do que o obtido por países de economia semelhante.

Nem mesmo o fato de o superávit de 12 meses ter ficado abaixo da meta altera o otimismo do economista. Para Altamir, mesmo que as contas continuem nesse ritmo, a meta fiscal será cumprida porque o governo tem a possibilidade legal de usar o Projeto Piloto de Investimento (PPI), mecanismo que permite reduzir a meta em até 0,50% do PIB e alocar o dinheiro em infraestrutura. Assim, na prática, o esforço fiscal a ser perseguido seria de apenas 2% do PIB. Nos 12 meses até maio, o gasto do PPI somou 0,29% do PIB.

Estado

Link: Superávit primário cai R$ 10 bi em maio e é o menor desde 2001

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