Telesp aumenta em 20% oferta da Vivendi pela GVT
Publicado por Gandalf às 10/08/2009 12:00:00 PMMenos de um mês depois de o grupo de mídia francês Vivendi ter demonstrado interesse pelas operações Global Village Telecom (GVT) no Brasil, por meio de uma oferta de ações no valor de R$ 5,4 bilhões, a Telefônica do Brasil, presidida por Antônio Carlos Valente, movimenta-se para impedir a entrada da francesa no País, e para isso oferece R$ 6,5 bilhões por 100% das ações da companhia brasileira, presidida por Amos Genish - cerca de 14% a mais do que ofereceu a Vivendi.
A movimentação, considerada positiva pelo mercado, fez com que as ações da GVT registrassem ontem uma alta de 13,74% no pregão, sendo negociadas ao montante de R$ 46,52. Já os papéis da Telesp (Telefônica) apresentaram queda 0,99%, sendo negociados a R$ 43,93. Luciana Leocádio, analista da Ativa Corretora, justifica a queda das ações da companhia. "A Telefônica está pagando muito caro pela empresa, apesar de complementar muito a sua rede no País. Certamente ela vai ter de se alavancar com alguma dívida pra fazer esse pagamento", explicou a analista.
Procuradas pela reportagem, as empresas informaram que não concederiam entrevista sobre o assunto. Ainda assim, a GVT informou ao DCI, por meio de sua assessoria, que "a GVT tomou conhecimento da oferta a partir do Fato Relevante", e que "o Conselho de Administração vai avaliar os aspectos da proposta para se pronunciar no momento apropriado".
Gilmar Camurra, diretor de Relações com Investidores da Telefônica, disse, durante teleconferência com analistas estrangeiros para explicar a oferta à GVT, que a companhia tem, sim, condições para assumir essa dívida. "Ainda estamos em processo de decisão. Mas a Telesp tem um nível de alavancagem suficiente para assumir essa transação", explicou.
A oferta pública da Telefônica, assim como a da Vivendi, pela GVT, depende da queda de algumas barreiras inclusas no estatuto da GVT. Uma delas, por exemplo, protege a empresa de dispersão da base acionária, que significa que, em caso de uma oferta pública, o preço de compra de cada ação da GVT não pode ser inferior a 125% da cotação mais alta dos papéis da empresa nos últimos 12 meses.
A votação, que deve acontecer em uma assembléia geral organizada pela GVT, pode ser concluída pela maioria de um total de 30% de acionistas presentes, de acordo com o próprio estatuto. A oferta da Vivendi será válida até o dia 13 de outubro, sendo que, de acordo com a assessoria de imprensa da GVT, a assembléia ainda não foi realizada.
No fato relevante apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Telefônica justifica seu interesse pela GVT, dizendo que "as operações da GVT apresentam um encaixe geográfico perfeito com as operações da Telesp e a complementaridade dos seus negócios não apenas permitirá que a Telesp tenha uma presença efetiva na Região II do PGO, como também propiciará a ampliação da concorrência no mercado de telecomunicações em âmbito nacional. A alta administração da GVT é um exemplo comprovado de capacidade de criação de uma empresa líder de telecomunicações no Brasil e a Telesp tem muito interesse em manter essas habilidades, experiência e motivação no grupo resultante", conforme a nota.
A Telefônica do Brasil atualmente oferta seus serviços a cerca de 62,4 milhões de assinantes, dos quais, em São Paulo apenas, a operadora afirma possuir 11,5 milhões de linhas fixas.
A GVT disponibiliza serviços de telefonia fixa e de banda larga nas Regiões Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.
DCI
Link: Telesp ignora Vivendi e faz oferta pela GVT
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